Aleam aprova projeto que proíbe homenagens a condenados por crimes graves no Amazonas

Projeto de Lei da deputada Mayra Dias veta honrarias a agressores, exige checagem de antecedentes e prevê a revogação de títulos já concedidos. O texto agora segue para sanção do Governo do Estado

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Deputada Estadual Mayra Dias (psd)
Deputada Estadual Mayra Dias (psd)
Nathalie Brasil
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A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) aprovou, nesta terça-feira (5), o Projeto de Lei nº 378/2025, que proíbe a concessão de qualquer reconhecimento público — como medalhas, prêmios e títulos honoríficos — a pessoas com condenação judicial definitiva por crimes graves. A proposta, de autoria da deputada estadual Mayra Dias (PSD), segue agora para a sanção do Poder Executivo Estadual.

A restrição é rigorosa e se aplica a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, alcançando os três poderes do Estado.

Foco na proteção de vulneráveis

De acordo com o texto aprovado, ficam terminantemente proibidas homenagens a indivíduos com trânsito em julgado por:

  • Violação dos direitos da criança e do adolescente;
  • Violência doméstica e familiar;
  • Crimes contra a dignidade sexual;
  • Violação dos direitos da pessoa idosa e da pessoa com deficiência.

Checagem obrigatória e anulação de títulos

Para garantir a eficácia da nova regra, a verificação de antecedentes criminais passa a ser uma etapa obrigatória antes da entrega de qualquer honraria. Os órgãos concedentes deverão consultar ativamente certidões judiciais e bases de dados oficiais.

O projeto também estabelece um mecanismo de correção: caso o homenageado venha a ser condenado ou uma condenação antiga seja descoberta, a honraria deverá ser sumariamente revogada ou anulada, a qualquer tempo.

Padrão ético e respeito às vítimas

A justificativa da matéria aponta que homenagear condenados perpetua padrões de impunidade e silencia as vítimas, indo na contramão dos avanços sociais na defesa dos direitos humanos. Para a deputada Mayra Dias, a iniciativa alinha o reconhecimento público aos valores de dignidade e responsabilidade social.

“Não podemos permitir que o poder público reconheça pessoas que cometeram crimes tão graves. Essa medida reforça o respeito às vítimas e estabelece um padrão ético claro nas homenagens concedidas pelo Estado”, afirmou a autora do projeto.

A parlamentar ressaltou, ainda, o impacto e o peso simbólico da decisão do Legislativo.

“O Estado precisa ser coerente com aquilo que defende. Ao impedir esse tipo de reconhecimento, reafirmamos nosso compromisso com a justiça, com a proteção das pessoas mais vulneráveis e com uma sociedade que não tolera a violência”, concluiu.