Material inédito do Serviço Geológico do Brasil (SGB) reúne mapas e informações geoquímicas, com dados que podem subsidiar estudos ambientais, gestão de recursos hídricos, agricultura e saúde pública
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) publicou o Atlas Geoquímico do Estado de Minas Gerais . A publicação reúne informações sobre a distribuição espacial e as concentrações de elementos químicos em diferentes matrizes amostradas: sedimentos de corrente, águas superficiais, águas destinadas ao abastecimento público e solos subsuperficiais.
O material pode ser consultado por pesquisadores, órgãos ambientais e de regulação em estudos do meio físico, e demais interessados em estudos relacionados ao meio físico, à pesquisa mineral, ao meio ambiente, à agricultura e à agropecuária e saúde pública.
O Atlas reúne 50 mapas de amostragem de sedimentos de corrente, 39 de águas superficiais, 39 de águas de abastecimento e 50 de solos subsuperficiais, elaborados a partir da caracterização analítica de aproximadamente 10 mil amostras. Em virtude da extensão territorial de Minas Gerais, o levantamento foi estruturado em 15 sub-bacias hidrográficas, com etapas de campo executadas entre 2009 a 2013.
A integração dos dados permitiu caracterizar os padrões de distribuição dos elementos químicos, fornecendo parâmetros fundamentais sobre a qualidade da água e sedimento nos rios, e dos solos por toda a extensão do estado. As informações podem ser utilizadas em estudos ambientais e geocientíficos, principalmente na identificação das origens de altas concentrações dos elementos que podem ser nocivos ou possuem interesse econômico.
Resultados
Dentre os principais resultados encontrados, estão a delimitação de uma grande área com ocorrência de fluorita no norte do estado e a definição de 104 áreas que precisam de estudos mais detalhados. Para chegar a essas áreas, os pesquisadores cruzaram regiões onde foram identificadas cerca de 24 mil concentrações de elementos químicos acima dos limites previstos em normas ambientais e internacionais. Desse total, quase 11 mil foram registradas em sedimentos, 6,3 mil em águas superficiais, 1,5 mil em águas de abastecimento e 5,2 mil em solos. Os elementos que mais frequentemente ultrapassaram esses limites foram ferro, cromo, manganês, vanádio, alumínio e níquel.
Dados ajudam a acompanhar mudanças ambientais
O levantamento geoquímico registra as condições atuais e cria uma “linha base” para acompanhar mudanças ao longo do tempo, sendo uma ferramenta indispensável para a gestão de crises e fiscalização contínua. Esses dados ajudam a medir com precisão o impacto de desastres ambientais, como os rompimentos de barragens de mineração em Mariana e Brumadinho.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) comparou os teores dos metais antes e depois dos eventos críticos, permitindo avaliar os impactos e facilitando a cobrança de reparações ambientais fundamentadas em evidências. Esses resultados já estão disponibilizados ao público em relatórios específicos e nos Atlas Geoquímicos das Bacias do Rio Doce (rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/18058 ) e do Rio São Francisco em Minas Gerais ( rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/20939 ), publicados em 2016 e 2019 respectivamente e disponíveis no RIGeo do SGB.
Série Atlas Geoquímicos Estadual
A publicação faz parte da série de Atlas Geoquímicos Estaduais do Brasil, desenvolvida pelo SGB no âmbito do Programa de Levantamento Geoquímico de Baixa Densidade, realizado desde 2003. Os dados e produtos do projeto estão disponíveis para consulta no GeoSGB, plataforma de informações geocientíficas do SGB.
Atualmente, o programa cobre cerca de 40% do território nacional. Além de Minas Gerais, já foram publicados os atlas estaduais de Roraima, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Alagoas, Distrito Federal, São Paulo e Sergipe. Os Atlas do Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul encontram-se em fase final de publicação.




