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Charcutaria lança linguiça x-caboquinho: produto 100% parintinense

Especial – Por Gerlean Brasil

 

Uma iguaria com identidade típica de Parintins, com uma explosão de sabores, é a linguiça x-caboquinho, produzida e comercializada pela Charcutaria Artesanal SM, com selo do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) da Secretaria Municipal de Pecuária, Agricultura e Abastecimento (Sempa). O novo embutido com carne de frango é recheado com tucumã, banana pacovã e queijo coalho. A receita é assinada pelo químico, pós-graduado em gastronomia, Samarone Moura.

O produto faz alusão ao sanduíche x-caboquinho feito com pão francês e chegou ao mercado em julho. “A gente tem essa facilidade, essa vontade, de fazer a goumertização das linguiças. A charcutaria tem mais essa novidade. Esse embutido tem tucumã, banana pacovã e o queijo coalho. Essa linguiça faz com que o nosso paladar exploda. Você sente todos os elementos do sanduíche x-caboquinho em uma linguiça de frango”, explica Samarone Moura.

 

Origem

Em 2019, em reportagem especial ao site BNC, o jornalista parintinense Wilson Nogueira publicou que a origem do sanduíche x-caboquinho não seria Manaus, segundo participantes do ciclo de palestras do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA). O assunto veio a debate logo após a conferência do presidente da Academia Amazonense de Letras (AAL), Robério Braga, sobre o tema A Desmemória no Amazonas.

Debatedores da plateia levantaram a hipótese de que não seria correto eleger o x-caboquinho como patrimônio cultural e imaterial de Manaus, quando a iguaria teria sido inventada em Parintins. A lei que torna o x-caboquinho patrimônio da cultura manauara foi aprovada pela Câmara Municipal, em outubro de 2019. O sanduíche com lascas de tucumã, ressaltou o escritor Elson Farias, tem origem em Parintins, cidade na qual morou quando jovem.

Ele disse, inclusive, que essa comida foi disseminada em Manaus por membros da família Prestes, que migraram para a capital do Amazonas no século passado. Por sua vez, Robério Braga concordou que tornar algo patrimônio cultural e imaterial de um determinado lugar exige muito estudo e pesquisa, e, desse modo, não pode vir a toque de caixa. “O tucumã está para Manaus como o açaí está para Belém”.

O presidente da Academia Parintinense de Letras (APL), Narcizo Picanço, concorda com Farias: “Quem levou o sanduíche com recheio de tucumã para Manaus foram jovens parintinenses que saíram daqui para estudar na antiga Escola Técnica Federal do Amazonas”, em meados da década de 1960. Ele citou os filhos da dona Guajarina Prestes, entre os quais, o sambista Chico da Silva, e a família de dona Ruth Prestes.

“Havia tucumã em Manaus, mas não existia hábito de comê-lo acompanhado de pão francês”, explicou Narciso. Ele lembra que Gláucio Martins, dono do Bar Kanaap, que funcionou na década de 1970, em Parintins, na Avenida Amazonas, foi quem primeiro comercializou o sanduíche de tucumã. Em Parintins, informa Picanço, as lascas de tucumã também são consumidas com pitadas de sal – como tira-gosto de bebidas quentes, principalmente entre os mais velhos.

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