Começa Primeiro Curso de Educação Popular em Saúde em Parintins

O curso será desenvolvido em 160 horas presenciais. (Foto: Márcio Costa)

Somar para multiplicar os saberes popular-tradicionais em saúde foi a tônica das falas de abertura, na tarde de quinta-feira (09), do Curso de Aperfeiçoamento em Educação Popular em Saúde – EdpopSUS, promovido pela Escola Politécnica de Saúde “Joaquim Venâncio” (EPSJV) da Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com a Coordenação Geral de Apoio à Educação Popular e à Mobilização Social do Departamento de Apoio à Gestão Participativa da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde (DAGEP/SGEP/MS) com o apoio da Prefeitura, Secretaria Municipal de Saúde e movimentos populares de Parintins.

Setenta educandos compõem as duas turmas selecionadas em edital e terão as orientações de quatro educadoras, também selecionadas em edital pela Escola Joaquim Venâncio. Educandos, educadores e convidados ocuparam o auditório da Ufamzinha para o início dos trabalhos do curso. Os encontros de formação acontecem a partir desta semana em duas salas do antigo complexo da UFAM na Rua Paraíba.

O objetivo é formar profissionais das equipes de Atenção Básica em Saúde, em especial, os Agentes Comunitários de Saúde, Agentes de Controle de Endemias (de vigilância em saúde, de saúde pública entre outros), Agentes Indígenas de Saúde e integrantes dos movimentos sociais, tendo como referencial político-pedagógico a Educação Popular em Saúde, preconizada pelo Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire.

Estruturado em Eixos Temáticos da Educação Popular, o Curso será desenvolvido em carga horária total de 160 (cento e sessenta) horas presenciais, incluindo 24 horas de trabalho de campo.

“Hoje a gente chega mais próximo dos saberes populares, dos saberes tradicionais e levando isso aos nossos profissionais de saúde, para incorporar na prática diária e fortalecer cada vez mais o sistema de Saúde do Município”, refletiu Elaine Pires, coordenadora da Vigilância em Saúde do município, que integra a equipe de educadoras do curso.

Ao destacar o apoio da administração municipal à iniciativa, Elaine diz ser a oportunidade de “visibilização dos saberes das parteiras, dos curandeiros, curandeiras, benzedeiras, benzedores, erveiros e outras pessoas com suas práticas tradicionais de cuidados com a saúde. É um curso de compartilhamento coletivo dos saberes. Estão envolvidos Agentes Comunitários de Saúde, Agentes de Endemias, Gestores e Gestoras de Unidades Básicas, assim como outros profissionais da área, além de integrantes de movimentos populares”.

Mercado da saúde

De acordo com a Educadora Fátima Guedes, ativista social da equipe coordenadora do curso, “realmente, nossa saúde é um mercado, porque a partir da Segunda Guerra Mundial, com o advento da tal revolução verde, foram jogados aos países dependentes os implementos de guerra e se iniciou toda a destruição da natureza, do meio ambiente, começou afetar a vida da população mundial”. Guedes relata que “nessa destruição, os nossos conhecimentos tradicionais, as nossas ancestralidades que cuidavam muito bem dessa nossa relação com a vida, foram sendo afetados drasticamente. Esse curso vem trazer essas reflexões e buscar caminhos para resgatar, reconstruir esses saberes juntamente com os conhecimentos técnicos pra gente construir essa saúde que tanto precisamos e termos o Bem Viver anunciado”.

Para a gestora do Hospital Padre Colombo, Nara Koide, o curso vem ao encontro de tantas lutas populares em defesa da saúde pública e valorização do Sistema Único de Saúde, SUS. Ela lembrou os participantes dos movimentos populares, representados pela educadora Fátima Guedes e destacou a importância do curso para a formação e multiplicadores da Educação Popular em Saúde. Disse que Parintins há muito precisava do Curso EdpopSUS e agora se fez realidade. “Este momento é importante para a professora Fátima Guedes não ficar sozinha e que cada um aqui, cada uma, seja multiplicador, multiplicadora do que está sendo semeado”, disse Koide.

Convidado para o evento de abertura, o erveiro José Guerreiro destacou a importância da iniciativa para manter o resgate das tradições e saberes populares. “Não deixem morrer esta luta. Precisamos ampliar esta roda para construir mais saúde”, disse em referência a insistência dos movimentos populares pela aproximação dos saberes ancestrais aos conhecimentos técnicos. Guerreiro tem sido destaque nacional e internacional pelo trabalho de divulgação dos potenciais de saúde presentes nas ervas da Amazônia.

Fonte: Secom

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