Conexão Carreira Indústria discute sobre oportunidades e desafios para jovens que buscam espaço no mercado de trabalho


Conexão Carreira Indústria discute sobre oportunidades e desafios para jovens que buscam espaço no mercado de trabalho Executivos da Tutiplast Indústria e…

Conexão Carreira Indústria discute sobre oportunidades e desafios para jovens que buscam espaço no mercado de trabalho
Divulgação/FIEAM
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Conexão Carreira Indústria discute sobre oportunidades e desafios para jovens que buscam espaço no mercado de trabalho

Executivos da Tutiplast Indústria e Comércio Ltda., Transportes Bertolini e da Educação Profissional do SENAI Amazonas compartilharam experiências e orientações com uma plateia de estudantes durante o evento Conexão Carreira Indústria 2026, nesta terça-feira (20), no Auditório Profº Arivaldo Silveira Fontes, da Escola SENAI Antônio Simões.

Promovido pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL Amazonas), o encontro reuniu estudantes, representantes de empresas e profissionais da educação. Mediado pela superintendente do IEL Amazonas, Andrea Guerra, o evento contou com a participação do gerente de Educação Profissional do SENAI Amazonas, José Nabir Oliveira; do gerente de Recursos Humanos da Tutiplast, Jonivaldo Miranda; e do assessor da Presidência da Transportes Bertolini, Fabio Gobeth.

A proposta foi compartilhar experiências profissionais e orientar jovens que estão em busca do primeiro emprego ou desejam construir uma trajetória no setor industrial. Entre os principais assuntos abordados estiveram as oportunidades de ingresso nas empresas, a importância da qualificação, as atitudes valorizadas nos processos seletivos e as mudanças provocadas pela inteligência artificial.

Durante o debate, os participantes ressaltaram que a falta de experiência não precisa ser uma barreira para quem está começando. Segundo Andrea Guerra, muitas vezes o principal obstáculo é a falta de informação dos próprios jovens sobre as possibilidades existentes na indústria. “Muitas vezes, o jovem não conhece as oportunidades que tem ali, ou busca entrar na indústria em uma posição ou atividade que não necessariamente é aquela de que a indústria está precisando. Sendo que a indústria muitas vezes desenvolve o seu profissional. Então, ele entra como técnico e, a partir daí, vai se desenvolvendo”, explicou a superintendente.

Andréa também ressaltou que existem diferentes caminhos para iniciar uma carreira, como os programas de aprendizagem e os cursos técnicos. Para ela, conhecer essas possibilidades ajuda os estudantes a identificar oportunidades compatíveis com sua formação e a compreender que o crescimento profissional é um processo construído ao longo do tempo. “A indústria, na entrada, não busca a experiência; ela busca a vontade do jovem, o jovem querer trabalhar, querer aprender, ter aquela vontade de se desenvolver. Esse é o principal canal para entrada no mercado de trabalho dentro da indústria”, afirmou.

A formação profissional aparece, nesse contexto, como uma das principais portas de entrada. José Nabir explicou que a formação técnica do SENAI busca acompanhar as necessidades do setor produtivo e preparar os alunos para as mudanças que ocorrem nas atividades profissionais. “A questão de flexibilidade, adaptação ao mundo do trabalho, é uma qualidade pessoal, uma competência socioemocional que a escola precisa olhar também na estrutura de formação dos alunos, para que a gente consiga mobilizar capacidades no processo de formação e contribuir para que, quando esses jovens estejam na indústria, consigam se adaptar mais facilmente e se readaptar”, declara Nabir.

O gerente ressaltou que o aprendizado não termina com a conclusão de um curso ou com a conquista do primeiro emprego. A atualização constante é necessária para acompanhar novas ferramentas, processos e exigências do ambiente profissional. “No mundo laboral, a única certeza que a gente tem é que precisamos, a cada dia, aprender um pouco mais. Cabe a nós, seres humanos inteligentes que somos, buscar cada vez mais o conhecimento. Mais do que nunca, a gente sabe que o conhecimento liberta, e é através justamente da busca desse conhecimento, traduzido em capacidades, que desenvolvemos o saber fazer, o saber ser e o saber agir”, destacou.

Com 14 anos de atuação na Transportes Bertolini, Fabio Gobeth chamou a atenção para as oportunidades existentes em funções consideradas de base da indústria. Segundo ele, a empresa enfrenta dificuldades para encontrar profissionais em áreas como soldagem, mecânica, transporte e operações hidroviárias. “Hoje, o que a gente percebe no mercado é que todo mundo está voltado para a tecnologia, enfim, mas existem muitas oportunidades ainda na base da pirâmide. Para quem está começando a carreira, existem diversas oportunidades. A gente sente muita falta de mão de obra na indústria da base, ressaltou Gobeth.

O executivo citou programas de formação de soldadores desenvolvidos pela empresa, inclusive em parceria com o SENAI, como exemplo de iniciativas que permitem contratar pessoas sem experiência prévia e prepará-las para o trabalho. “A gente tem até atualmente dois programas para formação de soldadores, em que não exigimos experiência. Um deles é um programa mais simples, em que a pessoa já entra trabalhando, e outro é um programa que a gente está desenvolvendo com o SENAI. São alunos em um curso para aprender a fazer reparos navais. A gente contrata sem experiência e treina. Então, a pessoa é treinada já sendo funcionária, já recebendo, já com todos os direitos”, explicou.

Para Gobeth, começar em uma função de base não significa permanecer nela durante toda a carreira. Ele citou casos de profissionais que começaram como soldadores e posteriormente assumiram funções de maior responsabilidade. “A base é a entrada, não é o que você vai fazer pelo resto da vida”, afirmou.

A postura dos candidatos durante os processos seletivos também esteve entre os temas discutidos. Jonivaldo Miranda ressaltou a importância de o candidato conhecer seus próprios valores e ser verdadeiro durante a seleção. Na avaliação do gerente de Recursos Humanos da Tutiplast, não dominar determinada habilidade não precisa ser um impedimento quando existe disposição para aprender. “Essa é a questão de você querer e não mentir. Não mentir sobre uma qualificação que você não possui. ‘Você sabe inglês? Você tem informática?’ É melhor você falar: ‘Não, mas eu aprendo, eu vou aprender, eu quero aprender’. Então, o problema é mentir e a falta de vontade. Isso pode ser impeditivo para vocês entrarem e crescerem na carreira”, orientou Miranda.

A flexibilidade também foi apresentada como uma competência cada vez mais necessária. De acordo com os participantes, as mudanças constantes no ambiente de trabalho exigem profissionais capazes de aprender, reaprender e se adaptar a novas situações.

Inteligência artificial transforma o trabalho

A inteligência artificial foi outro dos principais assuntos do painel. Para Fabio Gobeth, a tecnologia já está presente em diferentes atividades e deve ser encarada como uma ferramenta para aumentar a produtividade e facilitar processos. “Não podemos abrir mão hoje da tecnologia, nem nas funções mais básicas”, afirmou.

José Nabir, por sua vez, explicou que o SENAI já utiliza ferramentas de inteligência artificial na preparação de aulas e na criação de situações de aprendizagem. A preocupação, segundo ele, é incorporar a tecnologia sem deixar de desenvolver nos estudantes o conhecimento e as competências necessárias para o exercício profissional. “A IA chegou para ficar”, avaliou Nabir, defendendo equilíbrio entre o uso das ferramentas e o desenvolvimento das capacidades humanas.

Durante o encontro, os participantes também reforçaram que o domínio da inteligência artificial não elimina a necessidade de conhecimento técnico. Pelo contrário: compreender os fundamentos de uma área é importante para utilizar a tecnologia de maneira crítica e produtiva.

Ao longo do painel, a mensagem central foi de que a carreira profissional não precisa seguir um único caminho. Os jovens foram incentivados a aproveitar as oportunidades de aprendizagem, começar por funções de entrada e permanecer abertos a mudanças.

José Nabir destacou que o evento reuniu estudantes de diferentes cursos de aprendizagem e que as discussões podem servir como “insight” para a preparação profissional cotidiana. Encontros como o Conexão Carreira Indústria funcionam como momentos de reflexão sobre a relação entre a formação oferecida e as necessidades do mercado. “O futuro da indústria começa com o talento de quem se prepara hoje”, disse o gerente.

Fonte: FIEAM