Desemprego assombra moradores da terra do boi-bumbá

Festival Folclórico é esperança de renda extra para quem está desempregado em Parintins. Foto: Reprodução
Festival Folclórico é esperança de renda extra para quem está desempregado em Parintins. Foto: Reprodução

Às vésperas do Festival Folclórico de Parintins, que inicia em junho, muitos desempregados apostam na renda extra que os festejos podem trazer à economia local, com a venda de comida, bebida, artesanato e turismo. Em 2015, dados do IBGE apontavam uma ocupação mínima nos postos de trabalhos ofertados na cidade.

Com a estimativa de renda mensal equivalente a 1,6 salários mínimos, o cidadão parintinense também sofre com o aumento no índice do desemprego no Brasil. Só no primeiro trimestre, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) aponta que o país contou com um percentual de 12,6% na taxa de desocupação, resultando em mais de 13 milhões de desempregados.

Último levantamento do IBGE em Parintins de 2015 mostra que à época, a taxa de pessoas ocupadas em relação à população total era de apenas 5,9%, e se comparado com outros municípios do Estado, chegando a ocupar a posição 34 de 62 municípios do Estado.

A pesquisa ainda aponta que se considerados os domicílios com rendimentos mensais de até meio salário mínimo por pessoa, os números chegavam à 46.8% da população, colocando o município na posição 55 de 62 cidades e na posição 19911 de 5570 cidades em todo o país.

Desempregado há 2 anos, a última vez que Jonilson Menezes, 25, trabalhou de carteira assinada foi em Manaus, quando resolveu tentar a sorte, onde trabalhou numa empresa do Distrito Industrial, como montador.

Retornado à sua cidade natal, ele aposta no Festival Folclórico dos bois Caprichoso e Garantido para ganhar uma renda extra, pois mesmo sem ter experiência com o mercado de vendas e restaurantes, acredita poder conseguir um “bico” de chapeiro ou atendente em algum quiosque da região.

Economia

Para movimentar a economia local, o município conta no setor primário com a agricultura, pecuária e criação de bovinos. Além da carne bovina, também é exportado o leite de vaca para vários municípios do interior.

Artesanato é uma das fontes de renda da cidade. Foto: Divulgação
Artesanato é uma das fontes de renda da cidade. Foto: Divulgação

Na sequência, vêm as indústrias como setor secundário, composto por micro e pequenas empresas dos setores madeireiro, alimentício, oleiro, químico, vestuário e outros, que também movimenta o setor comercial, o terciário econômico da região, que atualmente conta com mais de 1,5 mil estabelecimentos de comércio, varejo e atacadista. O setor de comércio também é um dos que mais emprega na cidade.

O artesanato é outra grande fonte de renda na região. A exemplo disto, o casal de artesãos Kátia da Silva Brito, 41, e, Gilberto Duque da Silva, 47, que vivem da arte manual há mais de 30 anos.

A influência do casal é tanta, que além de vender no município, eles já receberam contratos de vendas para outros Estados brasileiros, e fazem parte de consultoria para empreendedores de artesanato.

Durante o período do Festival de Parintins, eles também contratam 15 ajudantes de artesanato para ajudarem na fabricação das peças, chegando até mesmo a pagar o equivalente a R$ 100 a diária, dependendo da dificuldade da peça e número de produções.

Entre a variedade de produtos, está a confecção de miniaturas dos bois Caprichoso e Garantido, pulseiras, brincos, colares e muitos outros tipos de confecções que envolvem a cultura local.

Educação

O estudo é um ponto forte do cidadão de Parintins, tanto, que de acordo com o panorama do IBGE de 2015, a população chegou a contar com percentual positivo de 5,4% no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).

Mas mesmo diante de tanto esforço da população, a precariedade ainda assola os estudantes no local, principalmente na questão da merenda e transporte escolar, que no início deste ano foi fortemente denunciado por políticos amazonenses.

O deputado estadual Sabá Reis (PR), natural de Parintins, chegou apresentar o problema na tribuna da Assembleia Legislativa, em março deste ano, destacando, à época, que o pagamento do transporte escolar estava atrasado em ao menos cinco meses.

Por telefone, ele relata que a situação agora já encontra-se normalizada referente a questão da merenda escolar, mas que o transporte de crianças e adolescentes no município, é objeto de corrupção e lavagem de dinheiro, “levando um serviço de péssima qualidade, por um valor milionário.

Finalizando a série sobre Parintins, a reportagem vai abordar na próxima matéria sobre o sistema de saúde da cidade, suas pendências, deficiências e como funciona o segmento na cidade.

Fonte: contraponto9.com.br

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