Dia Mundial do Artesão Indígenas do AM mantém venda da arte mesmo durante a pandemia

Mãos que tecem histórias, lutas e oportunidades. Neste 19 de março, Dia Mundial do Artesão, o Amazonas celebra a grandeza do artesanato indígena na sua importância histórica, econômica e social para todo estado. Atualmente, mais de 200 indígenas artesãos recebem apoio estadual para transporte e comercialização de produtos manualmente produzidos e repassados entre gerações há centenas de anos.

A história do artesanato confunde-se com a da humanidade, desde que o homem passou a ter necessidade de fabricar, manualmente, seus objetos, ferramentas, adornos, e quase sempre, com matéria-prima natural. No Amazonas, a fabricação desses objetos continua sendo fonte de renda e sobrevivência para muitos indígenas.

No Espaço do Centro do Empreendedor Indígena Yande Muraki, mantido pela Fundação Estadual do Índio (FEI) no Centro de Manaus, indígenas de várias etnias têm um espaço físico para vender os mais variados tipos de artesanato, como bijuterias, roupas, adereços e até medicamentos naturais. Estes últimos são especialidade de Yuri Magno, da etnia Sateré Mawé.

“Eu sou do povo Sateré Mawé e trabalho com a medicina indígena dos povos Apurinã. A medicina, nós começamos a trabalhar com ela desde 1997, e de lá para cá a gente foi inovando um pouco a medicina, mas eles continuam sendo produtos completamente naturais, sem química, feitos de ervas mesmo”, afirmou.

Adaptação na pandemia – Em 2020, a pandemia do novo coronavírus retirou dos indígenas a possibilidade da venda dos artesanatos de forma presencial, tanto das feiras como no Espaço Yande Muraki. Os mais de 200 indígenas auxiliados pela FEI, nas regiões do Purus, Baixo Amazonas, Alto Rio Negro, Vale do Javari e Madeira, precisaram readequar a comercialização dos produtos.

“Com a pandemia tornou-se mais difícil para a gente fazer a venda, passamos um ano praticamente sem fazer uma venda boa. Todo mundo parou, nós ficamos ali, daí surgiu essa juventude que veio, ‘Não, vamos adotar a internet’. Foi quando o pessoal começou a fazer as lives, vender pelo whatsapp, e eu pensei, ‘Vou fazer do mesmo jeito que o pessoal tá fazendo’”, explica Yuri.

Mesmo com a reabertura das vendas presenciais, a comercialização on-line continua sendo o principal formato de comunicação com os clientes.

Representatividade – Andar por entre as salas do Espaço Yande Muraki é como resgatar a história de centenas de povos indígenas que hoje habitam o Amazonas. Os diferentes objetos, ferramentas, medicamentos, todos produzidos artesanalmente, são a segurança de que a cultura perpassa gerações.

“Essa parceria, esse ensinamento, nós ganhamos do nossos anciãos mesmo, dos pajés antigos que já morreram, e aí foi passando de um para outro. A mensagem que eu deixaria hoje para o mundo, para as pessoas que vão assistir a gente, é: não esqueça de nos visitar, sempre venha visitar, conhecer nossa história. Conhecer nossa história, conhecer nossos produtos, que cada produto tem a sua importância, cada produto tem uma importância e cada produto tem uma história. Cada artesão tem a própria história dele, da sobrevivência dele, eu acho que esse era meu recado”, afirmou Yuri.

Serviço – O Centro do Empreendedor Yandé Muraki fica na rua Monsenhor Coutinho, 259, Centro, zona sul de Manaus. Os artesãos estão atendendo pedidos pelo (92) 99365-3051, pelo e-mail [email protected] ou ainda pelas redes sociais Instagram (https://www.instagram.com/loja_yandemuraki/) e Facebook (https://www.facebook.com/YandeMuraki), disponíveis também para informações adicionais.

FOTO: Indiara Bessa/Secom