Estudante da Ufam leva 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo


Reportagem publicada no blog Maloca Digital, "Em meio à velocidade da vida moderna, a economia solidária” apostou no estilo do jornalismo literário e na qualidade da sequência fotográfica

Estudante da Ufam leva 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo
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João Pedro Santana, discente do 6º período da graduação em Jornalismo na Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal do Amazonas (FIC/Ufam), foi o segundo colocado no 13º Prêmio Sebrae de Jornalismo. A premiação foi pelo trabalho “Em meio à velocidade da vida moderna, a economia solidária“, publicado no “Maloca Digital”, blog vinculado ao programa extensionista LigAção-Comunicação, Natureza e Cidadania.

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O estudante já atua como produtor de TV e, na faculdade, é voluntário da Maloca Digital há dois anos. No projeto, ele conta que a pauta para a reportagem premiada foi uma iniciativa pessoal que foi tomando forma a partir de um convite feito pela coordenadora do LigAção, professora Ivânia Vieira, para que João auxiliasse nas gravações da Feira das Mulheres Solidárias para uma chamada no Programa Maloca Digital. A realização é fruto do trabalho coletivo acompanhado de perto pela vice-coordenadora do Programa, TAE Renata de Lima.

“Celebramos a conquista do João Pedro Santana”, afirma a professora Ivânia Vieira, para quem o prêmio pode ser comemorado a partir de vários aspectos, tanto pelo exercício de cidadania incentivado no âmbito do Programa LigAção quanto pela própria história que gerou a reportagem e “a postura generosa de João Pedro no modo de compartilhar a premiação”. Segundo ela, o estudante convidou os colegas a amarem a escrita, a leitura, a feitura de matérias jornalísticas: “‘Vale muito a pena fazer isso’, disse ele”.

Assim como o jornalismo, a economia solidária praticada pelas mulheres do Puraquequara, na zona rural de Manaus, também é um exercício de coletividade. Na reportagem, João narra como elas se organizam para comercializar o artesanato produzido na comunidade. “Como o primeiro contato com as mulheres foi muito rico e prazeroso, elas me chamaram pra ver a feira, que aconteceria num domingo de manhã. Eu me empolguei e achei que renderia uma ótima pauta, muito relacionada à fotografia e à presença e atuação feminina na bioeconomia. Era uma oportunidade de mostrar um trabalho de base que servia a toda uma comunidade, no Puraquequara e adjacências, com vendedoras até da comunidade rural do Jatuarana, há uns 40 minutos de barco da orla do bairro onde a feira aconteceu”, relata o repórter sobre o contato inicial com o coletivo de mulheres.

“A partir dessa ideia, busquei unir um estilo de escrita próprio do jornalismo literário e da fotorreportagem para dar um tom mais humanizado e mostrar como todo esse trabalho das mulheres solidárias faz a diferença e pode ser exemplo para outras comunidades e até para órgãos de economia. Escrevi o texto conforme tive a experiência vivenciada naquele dia, com a chuva que não impediu a feira e as trocas com as pessoas com quem falei e tudo o mais”, completa João Santana sobre a experiência transformada em jornalismo.

Aprendizado

Segundo o jovem, “o material tem qualidade extra por conta das imagens, que ficaram bastante satisfatórias”, tendo como outra vantagem a pouca exposição do tema na imprensa tradicional. “No caso amazonense, muito se repercute sobre a bioeconomia e a produção de grupos e comunidades para o próprio sustento, mas não acerca de produtos vendidos para turistas e pessoas fora desse contexto. A economia solidária, ou seja, as vendas e trocas dentro da comunidade para fortalecimento próprio, não recebe cobertura equivalente. Por último, destaco que a pauta surgiu de uma atividade junto ao grupo das Mulheres Solidárias, e isso mostra a importância de que o repórter ainda em formação já esteja nos lugares. Quem quer fazer as histórias acontecerem não pode ser refém do jornalismo de espera”, analisa João sobre das qualidades do material.

A decisão de submeter a reportagem ao 13º Prêmio Sebrae de Jornalismo veio depois das avaliações positivas tanto pelas pessoas entrevistadas quanto pela coordenadora do LigAção. “É sempre uma boa oportunidade para ter o trabalho jornalístico prestigiado além do prestígio diário de poder estar nessa profissão”, orgulha-se, ao reconhecer o maior diferencial que foi poder contar com a mentoria da professora Ivânia Vieira desde o primeiro momento.

“Considero a mentoria dela fundamental para todo meu trabalho acadêmico e profissional desde que a conheci. Sou muito grato por todo o conhecimento e por me instigar a querer mais dentro do jornalismo. Agradeço muito pelas revisões e edições da vice-coordenadora do programa, a professora Renata de Lima. O projeto Maloca Digital é azeitado e está profundamente entrosado na hora de montar os textos e ter ideias de pauta”, reconhece João Santana em relação ao contexto favorável à abordagem de temas que geralmente ficam de fora da agenda midiática comercial. “Uma premiação desse calibre é uma vitrine. Mas não pode significar estagnação. É o pontapé para outras… e outras… e outras…”, conclui ele.

A professora Ivânia Vieira destaca a vivência do aprendiz ao “conhecer uma comunidade, um grupo de mulheres e com eles acessar informações e representações sobre a economia solidária na perspectiva das mulheres”. A inquietação para tornar aquela experiência um relato jornalístico vem em seguida, permitindo que “mais pessoas pudessem conhecer o que o estudante viu, sentiu, vislumbrou”. Finalizando, a mentora, conforme nomeou João, evidenciou o trabalho realizado no grupo: “[…] um jornalismo feito por jovens comprometidos com a causa boa em meio à crise que o jornalismo vive. Festejamos a prevalência dessa sensibilidade, da escuta e da compreensão. Festejamos o Jornalismo”.

“Maloca Digital”

O Maloca Digital é um blog e laboratório de jornalismo vinculado ao programa de extensão LigAção, coordenado pela professora Ivânia Vieira. Criado em 2001, esse foi um dos primeiros projetos de extensão da Ufam a voltar o foco para o jornalismo digital, que ainda era novo naquela época. Atualmente, o blog publica textos e reportagens de alunos e promove eventos, como o Seminário “Comunicação É Política: Eleições, Urna Eletrônica, Desinformação e Democracia”, realizado nos anos de 2025 e 2026.

“Em agosto, nos dias 27 e 28, fizemos mais um Seminário Maloca Digital com o tema ‘Comunicação É Política – Eleições, Democracia e Desinformação’, e tivemos a participação de 150 pessoas oficialmente inscritas. Realizamos oficinas, chamamos parceria com os coletivos de mulheres, de juventudes, indígenas. Somos sementes espalhadas por um jornalismo decente”, destaca a coordenadora do projeto.

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Leia aqui a notícia sobre o 13º Prêmio Sebrae de Jornalismo.

Fonte: UFAM