Fumaça: Ufam contribui com o acompanhamento da qualidade de ar por meio de estação instalada na Faculdade de Tecnologia


Em um cenário de muita fumaça e piora da qualidade do ar em Manaus, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) vem contribuindo com o monitoramento da…

Fumaça: Ufam contribui com o acompanhamento da qualidade de ar por meio de estação instalada na Faculdade de Tecnologia
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Em um cenário de muita fumaça e piora da qualidade do ar em Manaus, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) vem contribuindo com o monitoramento da qualidade do ar, da temperatura e da umidade na capital por meio de sensores e de uma estação meteorológica instalados em um bloco da Faculdade de Tecnologia (FT) da universidade.

Os equipamentos fazem parte do estudo de doutorado da pesquisadora Sylvia Jiménez Riofrío, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que esteve em Manaus entre julho e agosto deste ano. A pesquisadora desenvolve um trabalho sobre “Telhado Duplo como Estratégia de Adaptação ao Calor de Conhecimento Local”, que dá continuidade a uma pesquisa desenvolvida, nos últimos cinco anos, pelo Núcleo de Arquitetura Moderna na Amazônia (Nama), da Ufam, e pelo City Infrastructure EquityLab (Ciel), do MIT.

O coordenador do Nama, professor Marcos Cereto, informa que a pesquisa de Sylvia Jiménez Riofrío permitiu a instalação de sensores em quatro edifícios em Manaus, incluindo o prédio da FT, e de uma estação meteorológica no bloco da faculdade. “Os sensores vão, ao longo de, pelo menos, seis meses, durante todo o período do El Niño, medir temperatura e umidade. Cada edifício [onde foram instalados os sensores] tem um tipo de material para que a gente consiga identificar quais são os mais adequados para a nossa região. Já a estação meteorológica, além da temperatura e da umidade, afere também as partículas no ar e a visibilidade”, explica o docente. Há a expectativa de que a pesquisa possa ser estendida para que o acompanhamento dos dados dure um ano ao todo.

sensor e estao

Sensor (esq.) e estação (dir.) instalados no bloco da FT/Ufam

Os dados da estação são disponibilizados no aplicativo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), acessível para a população e que apresenta a média dos índices de qualidade do ar. Segundo Cereto, uma análise mais aprofundada dos dados só pode ser realizada ao fim do período de estudo. Porém, é possível perceber a piora na qualidade do ar nos períodos de agosto e setembro. “Evidentemente tem a ver com a questão das queimadas e da intensidade das mudanças climáticas que vão trazendo, talvez, como uma característica, aqui para Manaus, essa piora drástica na qualidade do ar”, destaca.

O estado do Amazonas vem sofrendo, neste segundo semestre de 2026, com um clima bastante adverso. Além das altas temperaturas, a fumaça afeta a saúde e a rotina dos amazonenses. Em Manaus, nos dias 23 e 24 de setembro, os medidores registraram qualidade de ar péssima. Na quarta-feira (23/9), a capital teve a pior qualidade de ar do mundo, registrando 324,1 µg/m³ (microgramas por metro cúbico) às 6h da manhã, conforme o aplicativo Selva.

Arquitetura para mitigar os efeitos da mudança climática
A pesquisa de Sylvia Jiménez Riofrío estuda como o uso de telhados duplos possibilita a adaptação ao calor em regiões tropicais. Os edifícios onde foram instalados os sensores possuem tetos de diferentes materiais justamente para identificar quais os tipos mais adequados para a região. “Um é concreto, outro é madeira, outro é área vegetal, outro é telha industrial. São diferentes materiais e diferentes desenhos. A soma do projeto com o material potencializa essas soluções no sentido de a gente identificar qual se adequa para a nossa região”, explica o professor Cereto. Ele explica que o objetivo da pesquisa é entregar dados para o poder público para a formulação de legislação e políticas públicas para contribuir com a adaptação às mudanças climáticas.

fumaca ufam contribui com o acompanhamento da qualidade de ar por meio de estaca 1Em entrevista durante sua estadia em Manaus, Sylvia Jiménez Riofrío destacou a importância de um planejamento da cidade que parta do diálogo com os cidadãos para o enfrentamento ao calor extremo. “Em particular, Brasil, Amazônia e Manaus possuem instrumentos de planejamento que já abordam a ação climática e o calor urbano; são necessários planos de reflorestamento e de planejamento transversal, por meio dos diferentes ministérios e órgãos municipais, para a mitigação do calor extremo e do calor urbano. As respostas estão no planejamento da cidade; considero-as melhores a partir dos cidadãos e para os cidadãos, de acordo com os atores locais, a academia e a população em geral. É importante reconhecer o papel de Manaus no contexto local, como a maior cidade não apenas da Amazônia brasileira, mas também da região. Assim, o planejamento em Manaus é um tema importante de análise de políticas públicas não apenas para a região, mas também para as cidades amazônicas do continente”, afirmou.

Marcos Cereto explica que a arquitetura é fundamental para a condição climática: “Um bom projeto de arquitetura proporciona uma melhor adequação ao clima e, por consequência, uma redução do consumo energético. Ou seja, uma arquitetura que não está adequada ao nosso clima tem um consumo energético muito grande”. O docente destaca o Setor Norte do campus da Ufam em Manaus como um exemplo de adequação da arquitetura ao clima. “É um projeto feito pelo Severiano Porto da década de 1980 e que é exemplar. É uma utopia de como poderia ser a cidade de Manaus, em que nós temos a questão da qualidade de ar, da qualidade da troca de ar dentro dos espaços internos”, afirma.

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Arquitetura do antigo ICHL, atual IFCHS, em 1996 (esq.) e em 2015 (dir.), com projeto de Severiano Mário Porto.
Imagens: Juscelino Simões

Sobre a proteção contra o ar poluído pelas fumaças, Cereto ressalta a necessidade de janelas que sejam bem vedadas para evitar a entrada das partículas e a adequação do projeto e do material das casas e prédios ao clima quente, já que o ar-condicionado não é capaz de filtrar o ar.

Contribuição da ciência
Marcos Cereto ressalta a importância da universidade no estudo sobre as mudanças climáticas e da comunicação com a sociedade. “No mundo que a gente vive, da comunicação, das redes sociais e que muitas opiniões, às vezes, se tornam verdades absolutas, a universidade tem um papel fundamental porque é o papel da ciência, que não é uma opinião, é uma investigação”, afirma. “É uma construção feita pelas universidades públicas em prol da ciência para entregar isso para as autoridades. A universidade não faz a gestão política. Ela vai dar a informação científica para mostrar caminhos”, completa.

O docente também destaca que é necessário que a população acompanhe as informações divulgadas pelas universidades e institutos de pesquisa para que a sociedade tenha ciência da gravidade da situação. “Levar isso numa linguagem acessível, numa linguagem que possa, de fato, motivar a população para que eles entendam e que lutem por essas políticas que sejam implantadas para a qualidade de vida de todos”, conclui.

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Fonte: UFAM