Iniciativas sociais em Careiro e Parintins concorrem ao Prêmio Itaú-Unicef 2018
Organizações auxiliam crianças, adolescente e jovens em vulnerabilidade social. Foto: Divulgação

Os vencedores da 13ª edição da premiação serão anunciados nesta terça-feira (27). Projetos atuam com jovens em condições de vulnerabilidade social.

Silane Souza
ACRÍTICA.COM

Com atividades diferentes, porém a missão de garantir os direitos de crianças, adolescentes e jovens em condições de vulnerabilidade social, duas organizações da sociedade civil (OSC), que atuam no interior do Amazonas, podem ter seus projetos premiados na grande final da 13ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, cuja cerimônia acontece nesta terça-feira (27), no auditório do Ibirapuera, em São Paulo.

As organizações são a Casa do Rio e a Associação Cidadania Social e Sustentabilidade. Ambas são finalistas na categoria OSC em Ação. A primeira com o projeto “Meninas e Meninos de Ouro”, desenvolvido no Careiro (a 88 quilômetros de Manaus). Já a segunda com a iniciativa “Escola de Artes Irmão Miguel de Pascale: Educação, Cultura, Arte e Cidadania”, executada em Parintins (distante 369 quilômetros da capital).

A coordenadora do “Meninas e Meninos de Ouro”, Quesia Reis, conta que o projeto foi criado em 2015 como uma oportunidade de ampliação da cultura, lazer e cidadania aos jovens, a partir de 16 anos, residentes em áreas onde tais atividades são quase inexistentes e esquecidas, e que, muitas vezes, podem ser substituídas por atividades ligadas a situações de risco.

 Jovens em atividade desenvolvida pelo projeto "Meninas e Meninos de Ouro". Foto: Divulgação
Jovens em atividade desenvolvida pelo projeto “Meninas e Meninos de Ouro”. Foto: Divulgação

Desde então, de acordo com ela, a iniciativa oferece uma série de oficinas (mídias sociais, fotografia, filmagem e edição de vídeo, grafite, estêncil, jogos, computação, inclusão digital, reforço escolar, entre outras) sempre focando na formação sócio, política e ambiental desses jovens, dando condições para que sejam protagonistas da transformação social.

Quesia destaca que todas as atividades realizadas convergem para o mesmo objetivo que é levar arte, cultura e cidadania para os jovens. Ela ressalta que o projeto é executado por duas organizações sem fins lucrativos: a Casa do Rio, que fica em Careiro, e o Grupo TransformAÇÃO, que atua no bairro Redenção, em Manaus. “Por isso, em caso de premiação, o prêmio será dividido entre as duas OSCs”, revelou.

Jovens participando de oficina de estêncil desenvolvida pelo projeto "Meninas e Meninos de Ouro". Foto: Divulgação
Jovens participando de oficina de estêncil desenvolvida pelo projeto “Meninas e Meninos de Ouro”. Foto: Divulgação

O projeto “Escola de Artes Irmão Miguel de Pascale: Educação, Cultura, Arte e Cidadania”, por sua vez, existe há 20 anos, segundo a coordenadora Izabel Porto, e tem por objetivo contribuir para a inclusão social, desenvolvimento escolar e garantia de direitos de crianças, adolescentes e jovens na faixa etária entre 7 e 18 anos, por meio da ampliação dos serviços e atividades socioeducativas.

Izabel diz que são oferecidas oficinas de capoeira, charango, dança, desenho, flauta, informática, escultura em isopor, percussão, pintura em tecido e em tela, teclado, violão, cavaquinho, entre outras, que potencializam habilidades artístico-culturais e competências intelectuais de crianças, adolescentes e jovens, a fim de que tracem seus próprios caminhos em pé de igualdade com aqueles que tiveram acesso a tudo isso.

Crianças em oficina desenvolvida pela projeto "Escola de Artes Irmão Miguel de Pascale: Educação, Cultura, Arte e Cidadania". Foto: Divulgação
Crianças em oficina desenvolvida pela projeto “Escola de Artes Irmão Miguel de Pascale: Educação, Cultura, Arte e Cidadania”. Foto: Divulgação

Ela salienta que o projeto, além de trabalhar a cidadania, inclusão/representação política e social, formação e informação de crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social e pessoal, também tem por objetivo a preservação do Patrimônio Cultural do Brasil, que é o Boi Bumbá de Parintins. “Está na final do Prêmio Itaú-Unicef é fruto de muito empenho e dedicação”, comentou.

Boas práticas mobilizam outras

Realizado há 23 anos, o Prêmio Itaú-Unicef identifica, estimula e dá visibilidade a projetos que contribuem para garantir o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social. O programa é uma iniciativa do Itaú Social e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A gerente de Fomento do Itaú Social, Camila Feldberg, diz que o prêmio dá luz a boas práticas que são mobilizadoras e incentivam outras organizações a desenvolverem ações socioeducativas com crianças e adolescentes. Para ela, os projetos possibilitam mais tempo de aprendizagem, circulação por espaços diferentes e acesso a conteúdos e informações novas.

O prêmio, conforme Camila, também abre portas para as organizações, o que acaba sendo muito importante diante do contexto que as mesmas vêm passando, com queda no financiamento, além de ser uma forma de divulgar que é possível desenvolver uma série de atividades, mesmo em condições adversas. “E muitas vezes, a população não conhece essas ONGs”, evidenciou.

Adolescentes em oficina desenvolvida pela projeto "Escola de Artes Irmão Miguel de Pascale: Educação, Cultura, Arte e Cidadania". Foto: Divulgação
Adolescentes em oficina desenvolvida pela projeto “Escola de Artes Irmão Miguel de Pascale: Educação, Cultura, Arte e Cidadania”. Foto: Divulgação

Ela afirma que as organizações, ao longo do tempo, foram se empoderando do papel que têm. Hoje elas podem falar que estão ali para tirar a criança da rua, evitar que se envolva com o crime, mas o papel delas é muito além. “As ONGs se veem como ator que pode ser envolvido na educação e desenvolvimento do seu público, o que é legal porque elas têm potencialidade para isso. Mas, muitas vezes, são vistas com desconfiança”, afirmou.

A gerente de Fomento do Itaú Social enfatiza que essas organizações oferecem atividades de qualidade para crianças, adolescentes e jovens. “Muitas trabalham com musicalidade e teatro, por exemplo, e todas essas linguagens são importantes para o desenvolvimento desse público. Nós da fundação vemos muito valor no papel das organizações. Elas acabam fazendo um trabalho de enfrentamento às desigualdades”.

Mais de 3 mil projetos

A 13ª edição do Prêmio Itaú-Unicef recebeu mais de 3,5 mil inscrições. Destes, foram selecionados 30 finalistas, 10 na categoria Parceria em Ação, em que são reconhecidas parcerias entre organizações da sociedade civil e escolas públicas; e 20 na categoria OSC em Ação, dedicada a projetos realizados exclusivamente pelas OSCs.

Premiação por categoria

A categoria OSC em Ação terá quatro premiadas por ordem de colocação (1º lugar R$ 150 mil, 2º lugar R$ 140 mil, 3º lugar R$ 130 mil e 4º lugar R$ 120 mil). Na categoria Parceria em Ação, serão duas vencedoras. O 1º lugar recebe R$ 400 mil e o 2º lugar, R$ 360 mil, valores divididos igualmente entre a organização e a escola.

Em números

R$ 60 mil foi o valor que as duas OSCs do Amazonas já receberam por ter seus projetos selecionados nas fases semifinal (R$ 20 mil) e final (R$ 40 mil) do Prêmio Itaú-Unicef 2018.

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