Moradores de Invasões estão se tornando reféns do tráfico em Parintins
Foto: Fernando Cardoso

O marco do tráfico pode ter chegado às invasões espalhadas na cidade de Parintins, impondo medo e terror para alguns e respeito para outros. Segundo moradores das ocupações contactados pela reportagem, que preferem se manter no anonimato, passadores de drogas e traficantes estão demarcando territórios nesses locais, colocando regras e ofertas para não serem delatados ou importunados.

No dia a dia, os moradores precisam seguir as regras e até mesmo agir fora da lei para não se tornar um alvo dos bandidos. Sem se identificar, uma moradora de 36 anos relatou que deixa a sua casa localizada na Rua 17 da Invasão do Castanhal e não sente receio que seja roubada, segundo ela, há uma proteção por trás.

“Às vezes chego tarde em casa e nunca sofri nenhum tipo de ameaça porque não me interessa se o meu vizinho usa ou vende droga. Se eles me dão segurança pra quê vou denunciá-los, cada um faz o que quer da sua vida”, declarou.

Pelas informações colhidas, existem situações em que moradores são obrigados pelos traficantes a guardar drogas, armas, objetos de furto e roubo, passando a responsabilidade para uma pessoa inocente e que não pode reagir à situação ou acaba por sofrer as consequências.

Se forem presas pela polícia não podem falar nada, se não passam a sofrer retaliação de traficantes. A lei na invasão gira em torno de sanções e quem se coloca no caminho do tráfico acaba sendo punido.

Um pedreiro relatou que quem burla a lei do silêncio nas invasões ou comete traição, roubo, furto, estupro contra pessoas da própria comunidade é advertido pela desobediência ou sofre sanções mais graves.

“Os traficantes estão utilizando esses artifícios para manter o poder dentro da comunidade. Já está ficando comum no dia a dia, os moradores ter que seguir as regras para não se tornar um alvo dos bandidos”, explicou.

Quem ousa roubar ou furtar protegidos, suas casas ou dos traficantes sofre punição, até mesmo é expulso do local, quando não é agredido brutalmente.

Uma doméstica relatou que o comando do tráfico na Invasão do Castanhal está lhe deixando com medo, inclusive, pensa em se mudar, mas também pensa que não tem para onde ir e nem como recuperar o dinheiro que investiu num barraco.

“Estou com pena de deixar a casa onde moro com a minha família, mas o tráfico está demais e impondo regras. Às vezes estou na minha casa, eles entram ou passam correndo pelo quintal, batem na porta e sou obrigada a abrir e você não pode falar nada, eles não respeitam e ainda são abusados”, contou.

O delegado de Polícia Civil, Adilson Cunha, não confirmou a versão dos moradores sobre o marco que os traficantes estão impondo nas ocupações, mas adiantou que chegaram no 3º Distrito Integrado de Polícia (3º DIP) informações que pessoas ligadas ao tráfico estão promovendo ameaças e invasão de domicílios nas ocupações do Bairro Pascoal Alággio, Loteamento Teixeirão e Castanheira.

“Nessas invasões estão acontecendo esse problema. Infelizmente existe a contribuição de terceiros com esses elementos que não devem permanecer nas ruas e sempre que a polícia chega nessas localidades, eles são avisados”, explicou.

Adilson Cunha disse que é preciso ser feito um trabalho com muita estratégia para prender traficantes e passadores de drogas, uma forma de acabar com as ameaças e invasões aos domicílios dos moradores.

“Antes do Festival nós tentamos cumprir um mandado de prisão e quando chegamos na esquina, o cidadão (meliante) já sabia há uns três quarteirões, então muita gente ajuda. Talvez como acontece no Rio de Janeiro e São Paulo, esses elementos iludem as pessoas pagando um churrasco ou uma merenda para que possam ser ajudados. Quem age assim favorecendo os bandidos, está agindo contra a nossa sociedade”, declarou.

O delegado lamenta que algumas pessoas ao agirem em favor dos bandidos estão prejudicando o trabalho da polícia em favor da população. “Mal sabe elas que estão prejudicando a cidade e não ajudam em nada a polícia colocar atrás das grades esses elementos”, lamentou.

A autoridade policial adiantou que a polícia trabalha a execução de várias ações para combater diversos crimes e delitos na cidade, porém não adiantou quando as operações irão ocorrer para não criar expectativa nos meliantes.

Fonte: Fernando Cardoso | Repórter Parintins

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