No Amazonas, 42% dos municípios têm 'ineficiência crítica' em gestão educacional, diz estudo
Escolas localizada no município de Uarini, onde situação é de ineficiência crítica — Foto: Divulgação/MPF-AM

De 62 cidades no Estado, 52 foram listadas no Atlas da Eficiência da Educação. Maraã vive situação extrema.

Por Adneison Severiano, G1 AM

A gestão da educação em 22 municípios do Amazonas foi classificada como “ineficiência crítica”. Apenas cinco cidades amazonenses são eficientes em termos de gestão educacional, enquanto 24 têm “ineficiência moderada”. Um município é listado com “ineficiência extrema”. Essas são algumas constatações que estão no Atlas da Eficiência da Gestão Municipal da Educação, lançado na semana passada, em Brasília.

Dos 62 municípios amazonenses, 52 estão no atlas, ou seja, 84% das cidades foram analisadas. Dez municípios não dispõem de informações na publicação.

Eficiência da Gestão Municipal da Educação dos municípios do AM

No Amazonas, 42% dos municípios têm 'ineficiência crítica' em gestão educacional, diz estudo(1)
Fonte: Atlas da Eficiência da Educação

Das 52 cidades do estado com dados disponíveis e analisadas no estudo, Maraã tem pior desempenho na gestão educacional e ocupa a 52ª posição no ranking de eficiência. Confira o desempenho por cidade:

1º Benjamin Constant, Itacoatiara, Manaus, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva: Eficiente (Recebe Selo de Eficiência considerando seu desempenho na Gestão Municipal da Educação)
6º Careiro: Ineficiência moderada
7º Maués: Ineficiência moderada
8º Manaquiri: Ineficiência moderada
9º Manacapuru: Ineficiência moderada
10º Pauini: Ineficiência moderada
11º Parintins: Ineficiência moderada
12º Tabatinga: Ineficiência moderada
13º Silves: Ineficiência moderada
14º Jutaí: Ineficiência moderada
15º Boca do Acre: Ineficiência moderada
16º Fonte Boa: Ineficiência moderada
17º Humaitá: Ineficiência moderada
18º Anori: Ineficiência moderada
19º Apuí: Ineficiência moderada
20º Iranduba: Ineficiência moderada
21º Lábrea: Ineficiência moderada
22º Nhamundá: Ineficiência moderada
23º São Paulo de Olivença: Ineficiência moderada
24º Urucará: Ineficiência moderada
25º Autazes: Ineficiência moderada
26º Envira: Ineficiência moderada
28º Carauari: Ineficiência moderada
29º Itamarati: Ineficiência moderada
30º Manicoré: Ineficiência crítica
31º Eirunepé e Uarini: Ineficiência crítica
33º Amaturá: Ineficiência crítica
34º São Gabriel da Cachoeira: Ineficiência crítica
35º Careiro da Várzea: Ineficiência crítica
36º Coari: Ineficiência crítica
37º Nova Linda do Norte: Ineficiência crítica
39º Tefé: Ineficiência crítica
38º São Sebastião de Uatumã: Ineficiência crítica
40º Barreirinha: Ineficiência crítica
41º Codajás: Ineficiência crítica
42º Santo Antônio do Içá: Ineficiência crítica
43º Tonantins: Ineficiência crítica
44º Anamã: Ineficiência crítica
45º Urucurituba: Ineficiência crítica
46º Juruá: Ineficiência crítica
47º Borba: Ineficiência crítica
48º Barcelos: Ineficiência crítica
49º Japurá: Ineficiência crítica
50º Santa Isabel do Rio Negro: Ineficiência crítica
51º Novo Aripuanã: Ineficiência crítica
52º Maraã: Ineficiência extrema

O Atlas, que conta com o apoio institucional da Universidade de Brasília (UnB), compara a gestão pública entre municípios de um mesmo estado, traduzindo-a em números e permitindo verificar quais são mais ou menos eficientes em diferentes setores. No caso da Educação, são observados critérios como valor investido por aluno, retenção escolar, aprovação e proficiência, entre outros.

A publicação foi desenvolvida por uma startup de inovação e pesquisa sem fins lucrativos do Distrito Federal, com a coordenação técnica de um professor da UnB e de um consultor internacional. Trata-se de uma ferramenta com a intenção de melhorar a gestão do dinheiro público, reduzindo o desperdício e otimizando os serviços do Estado brasileiro.

As duas primeiras edições do Atlas, apresentadas no dia 27 de novembro, tem como temas a Educação e os tribunais de Justiça estaduais. Saúde, água e saneamento são outros assuntos a serem apresentados nos próximos meses. Além disso, em breve, serão lançadas publicações sobre os Tribunais Regionais do Trabalho e os Tribunais Regionais Eleitorais.

Para viabilizar a pesquisa que resultou na plataforma e no atlas, o professor Alexandre Maduro-Abreu, da Faculdade de Administração, Contabilidade, Economia e Gestão de Políticas Públicas (FACE) da UnB, e o consultor Kayton Fernandes de Ávila, fundaram o Instituto de Inteligência em Gestão e Sustentabilidade (I3GS), sem fins lucrativos. Assim, nasceu o movimento apartidário Por um Brasil mais Eficiente.

Para a estimativa dos modelos que compõem os Atlas da Eficiência elaborados pelo I3GS, são realizados inicialmente um levantamento bibliográfico para identificar os principais componentes e procedimentos dos modelos disponíveis na literatura da área de estudo específica de cada Atlas. Assim, são realizados:

Definição das variáveis de insumo e produto do modelo específico (as variáveis selecionadas são preferencialmente de bases de dados abertas de órgãos oficiais – DATASUS, INEP, SNIS, IPEA, IBGE etc);

Definição do tipo de retorno;

Agrupamento das variáveis nas mesmas unidades geográficas;

Cálculo do modelo em dois sentidos, com orientação à maximização de produtos e orientado à minimização de insumos – permitindo ao leitor a comparação entre os resultados aferidos e os caminhos possíveis para tornar a gestão do município mais eficiente quanto à utilização de seus recursos.

O índice de eficiência – IEfi é classificado em:

Ineficiência Extrema – 0 a 0,599
Ineficiência Crítica – 0,600 a 0,799
Ineficiência Moderada – 0,800 a 0,999
Eficiência (benchmark) – 1.

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