‘Paulinho Faria’, o surgimento e ascensão da imponente Alvorada
Paulinho Faria / Foto: Roger Matos

Era final da tarde do primeiro sábado de maio de 1975, quando Paulinho Faria e Jair Mendes, saíram às ruas da Ilha Tupinambarana anunciando a primeira Alvorada do Garantido, hoje, reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do Amazonas.

Aos 13 anos, Paulinho Faria, eterno apresentador do boi Garantido, entrou no rádio e nos corações de uma legião de apaixonados pelo bumbá da Baixa do São José. Era 1973, o pequenino e franzino Paulinho, emanava sua voz nos microfones do programa musical “Mundo dos Discos”, transmitido pela rádio Alvorada, emissora pertencente a antiga Prelazia de Parintins, hoje, Diocese.

Paulinho, Garantido desde pequeno, sob influência da família, recorda que em um desses programas tocou a primeira toada gravada em disco de vinil, chamada Boi Garantido, composta por Chico da Silva. “Era um compacto simples de vinil, a primeira toada gravada em LP”, lembrou.

Dois anos depois, em função do programa de rádio, Paulinho Faria recebeu um convite vindo da Baixa do São José. A emoção espraiou no ar. Naquele momento, estava o “garotinho de ouro”, como é chamado até hoje pela nação encarnada, assumindo o posto de apresentador do boi do coração.

Sempre que podia, fazia propaganda dos ensaios do Garantido em uma caminhonete da Jotapê, empresa da família. Mas, foi numa tarde do primeiro sábado de maio de 1975, que Paulinho foi chamado por Jair Mendes (um dos maiores artistas do Festival de Parintins) para ir à casa da irmã de Jair, na rua Álvaro Maia, onde ele fazia os últimos ajustes da confecção do Boi, que seria colocada sobre a mesa no antigo Curral do Garantido Lindolfo Monteverde (curralzinho), para o primeiro ensaio.

“Tive a ideia de chamar o Jair, emprestamos o auto-falante do Cine Oriental, então saímos anunciando o primeiro ensaio. Era apenas um carro de som, os fogueteiros que ficavam sobre a carroceria da caminhonete e um fusca, trazendo o boi Garantido, assim começou o movimento Alvorada anunciando os ensaios do bumbá”, contou.

Paulinho conta que à medida que os anos passavam, a proporção de pessoas majorava, diante da circunstância, Zezinho Faria, ex-presidente do Garantido e irmão de Paulinho, resolveu colocar parte dos integrantes da batucada na carroceria da caminhonete.

Mesmo com o passar do tempo, a paixão da família Faria pelo Garantido não cessou, muito pelo contrário, irradiou em novos planos. No primeiro sábado de maio de 1986, no primeiro baile “Vermelho e Branco”, realizado no Recanto Tropical, que teve como principal atração a banda “Canto Verde”, que, Zezinho Faria teve a “brilhante” ideia de levar a batucada ao baile. Entretanto, quando todos pensavam que a festa se dava por encerrada, se ouviu o estrondar dos tambores da Baixa.

“Foi uma loucura, animação geral…logo depois a batucada saiu pela primeira vez com os pés no chão pela avenida Nações Unidas, dobrou a Rui Araújo, seguiu pela Vicente Reis até o curral. Foi a primeira Alvorada organizada com a batucada e o povo acompanhando a trajetória até o Curral Lindolfo Monteverde”, recorda Paulinho Faria, o eterno apresentador.

Fonte: Náferson Cruz | bncamazonas.com.br/toadas

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