O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) Wolfgang Johannes Junk recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A homenagem reconhece a trajetória de quase 60 anos de contribuição científica de Junk à pesquisa sobre ecossistemas amazônicos e áreas úmidas.
Um marco na trajetória científica de Wolfgang Junk foi a formulação e publicação, em 1989, do Conceito do Pulso de Inundação (Flood Pulse Concept), uma contribuição científica de alcance internacional que se tornou amplamente reconhecida e aplicada na compreensão da dinâmica ecológica e dos processos funcionais das áreas úmidas. O pulso de inundação constitui um processo estruturante das áreas úmidas, determinando a conectividade de ambientes aquáticos e terrestres e regulando processos fundamentais, como a dinâmica da vegetação, a ciclagem de nutrientes, a produtividade, a decomposição da matéria orgânica, o transporte de sedimentos e organismos e a disponibilidade de habitats. A alternância entre fases de inundação e de exposição condiciona, portanto, a estrutura, a composição e o funcionamento dos ecossistemas de áreas úmidas.
Junk chegou à Amazônia em 1967, quando iniciou suas pesquisas ainda no âmbito de seu doutorado. Junk veio ao INPA para desenvolver estudos sobre plantas aquáticas nas áreas de várzea amazônica, sob a orientação do diretor do Instituto Max Planck de Limnologia (MPIL), em Plön, Alemanha, Harald Sioli.
Doutor em Zoologia, Botânica, Química, Oceanografia e Limnologia pela Universidade de Kiel (1970), Wolfgang Junk atuou como pesquisador do Instituto Max Planck de Limnologia (MPIL) entre 1970 e 1976, no contexto da cooperação científica entre o Inpa e o MPIL, oficialmente estabelecida em maio de 1969.
Entre 1976 e 1980, Wolfgang Junk foi contratado pelo Instituto, dirigido à época por Warwick Kerr, e assumiu a coordenação da Divisão Peixe/Pesca. Nesse período, teve papel fundamental na criação do Programa de Pós-Graduação Peixe/Pesca, em parceria com a Ufam A iniciativa foi pioneira na formação de recursos humanos especializados em ambientes aquáticos amazônicos e origem do atual Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (PPG-BADPI).
Em 1980, Wolfgang Junk retornou à Alemanha, onde assumiu a coordenação do Grupo de Trabalho “Ecologia Tropical” no MPIL, ampliando a cooperação científica com o Inpa. Pelo lado brasileiro, a cooperação teve como parceiros os pesquisadores José Alberto Sampaio Nunes de Mello e Maria Teresa Fernandez Piedade, que criou, no ano de 1985, o Grupo de Pesquisa Maua – Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável das Áreas , em atividade até hoje, agregando projetos, recursos financeiros, bolsistas, técnicos e pesquisadores.
O período de 1989 a 2007 foi marcado pela ampliação de projetos entre o Inpa e o MPIL. Vários estudos de pesquisa aplicada foram desenvolvidos no âmbito do programa de colaboração entre o Inpa e o CNPq, o Ibama e o BMBF (Ministério Federal alemão para Ciência e Educação), como o projeto “Estudos sobre o Impacto Humano nas Florestas e Planícies Alagáveis nos Trópicos” (SHiFT), que resultou na publicação do livro “The Central Amazon Floodplains: Actual Use and Options for a Sustainable Management”, no ano de 2000, publicado em uma versão atualizada pela Editora do INPA no ano de 2020 “Várzeas Amazônicas: Desafios para um Manejo Sustentável”, em comemoração aos 50 anos de cooperação bilateral entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)/Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Brasil, e a Sociedade Max-Planck (MPG), Alemanha.
Fonte: INPA




