Pós-Graduação em Ecologia do Inpa promove disciplina “Ecologias Indígenas na Amazônia” com aulas em espaços indígenas de Manaus


Entre os dias 19 e 30 de outubro, o Programa de Pós-Graduação em Ecologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) promoveu a disciplina…

Pós-Graduação em Ecologia do Inpa promove disciplina “Ecologias Indígenas na Amazônia” com aulas em espaços indígenas de Manaus
Ouça esta notícia IA Voz
Clique no play para ouvir a matéria por áudio

Entre os dias 19 e 30 de outubro, o Programa de Pós-Graduação em Ecologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) promoveu a disciplina “Ecologias Indígenas na Amazônia”, com proposta interdisciplinar de diálogo entre ecologia, antropologia e conhecimento indígena.

Promovida pelo pesquisador do Inpa Miguel Aparicio (PPG-Ecologia/Inpa) e Mariana Cassino (PPGAS/Ufam), a disciplina incorporou em seu referencial produções recentes de acadêmicos indígenas e contou com a colaboração deles em várias aulas.

Dois momentos marcaram a programação fora da sala de aula. No dia 23 de outubro, a aula aconteceu no Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, com a presença dos antropólogos indígenas João Paulo Barreto, Jaime Diakara e Carla Wisu, dos povos Tukano e Desana. O Centro é uma iniciativa de antropólogos e xamãs kumuã do Rio Negro que promove a valorização das práticas de saúde tradicional e se projeta como espaço de diálogo entre ciência indígena e ciência ocidental.

Publicidade

No dia 29 de outubro, estudantes e docentes se deslocaram ao Parque das Tribos, na Zona Norte de Manaus, para aula no Instituto Witoto, com participação das conhecedoras indígenas Vanda Witoto, Maria Auxiliadora Mura e Yacy Baré, que compartilharam suas trajetórias entre os territórios de origem e o território indígena na periferia da capital, onde promovem a regeneração da floresta e das práticas de cultivo a partir dos conhecimentos milenares de seus povos.

Para o docente Miguel Aparicio, o curso busca estabelecer um diálogo simétrico entre conhecimentos. “A ciência indígena é um caminho imprescindível para compreendermos as dinâmicas que sustentam a floresta amazônica. Nos âmbitos científicos ocidentais cresce o reconhecimento do papel dos povos indígenas na conservação da biodiversidade, mas há muitos obstáculos para reconhecer as formas diversas de pensamento indígena, consideradas mágicas, não-científicas ou supersticiosas. Porém, são esses modos de pensar a floresta que sustentam a floresta em pé. O conhecimento indígena não pode mais ser considerado complementar ou subalterno”, afirma.

A disciplina propôs uma abordagem antropológica das ecologias amazônicas atenta às concepções e práticas indígenas de transformação das paisagens e de construção de relações sociais com o que os paradigmas ocidentais consideram esfera natural, a partir de categorias como o perspectivismo ameríndio. Foram priorizados estudos etnográficos nas Terras Baixas sul-americanas, produções recentes da antropologia indígena e o diálogo com a ecologia histórica e os estudos multiespécies. Metodologicamente, as aulas combinaram momentos expositivos, seminários e debates, com convidados indígenas e não indígenas em sessões especiais.

Fonte: INPA