Samaúma II leva qualificação profissional em energia solar a municípios do Amazonas


Em uma região onde os rios são as principais estradas do Amazonas, o Barco-escola SENAI Samaúma II vence distâncias para levar conhecimento, tecnologia e

Samaúma II leva qualificação profissional em energia solar a municípios do Amazonas
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Em uma região onde os rios são as principais estradas do Amazonas, o Barco-escola SENAI Samaúma II vence distâncias para levar conhecimento, tecnologia e novas perspectivas de futuro para centenas de amazonenses, a exemplo do projeto Manaós Solar 4.0 que, ao longo de seis meses, capacitou 367 moradores dos municípios de Tefé, Coari, Codajás e Parintins por meio de cursos realizados a bordo do Samaúma II, em uma parceria entre a BYD Brasil e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).
A iniciativa recebeu investimento superior a R$ 1,1 milhão em pesquisa, desenvolvimento e inovação e teve como foco a formação de profissionais nas áreas de energia solar fotovoltaica, eletricidade, tecnologia da informação e Indústria 4.0.
De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas e do Conselho Regional do SENAI Amazonas, Antonio Silva, a instituição cumpre a missão de levar qualificação técnica diretamente às comunidades ribeirinhas, muitas vezes afastadas dos grandes centros e com acesso limitado a cursos profissionalizantes. Adaptado com estrutura educacional completa, o barco-escola percorre os rios amazônicos para garantir que a formação chegasse a moradores que, em muitos casos, teriam dificuldades para se deslocar até a capital ou outros polos de ensino.
Para desenvolver o projeto Manaós Solar 4.0, o SENAI Amazonas ministrou conteúdos como os sistemas fotovoltaicos, inversores, eletricidade, indústria 4.0, segurança, sustentabilidade e tecnologia da informação. O conhecimento disseminado tem aplicação direta na realidade das comunidades do interior do Amazonas, onde muitas localidades ainda enfrentam desafios relacionados ao fornecimento de energia elétrica.
Em algumas regiões, o abastecimento depende de geradores movidos a diesel, solução que envolve custos elevados e complexa logística de transporte de combustível. Nesse cenário, a energia solar surge como alternativa sustentável para ampliar o acesso à eletricidade e melhorar a qualidade de vida da população.
Para a estudante Dhierli Gomes, moradora da comunidade Guarani, próxima a Tefé, a experiência foi motivada pela transformação que a energia solar já havia proporcionado à sua comunidade. Segundo ela, a instalação de placas solares contribuiu para solucionar problemas relacionados ao abastecimento de água, o que despertou o interesse em aprofundar seus conhecimentos para ajudar outras pessoas.
“Nós carregamos a água pela manhã, cedo, para ter em casa. Com essa chegada da energia fotovoltaica, veio como, posso dizer, grandiosamente, resolver nosso problema, isso fez com que eu também tivesse essa força de vontade de estar aqui no curso, para levar isso para mim e ajudar os próximos.”, afirma a estudante.
Seu irmão, Rainnier Gomes, também formado pelo projeto, ressalta que a capacitação representa uma oportunidade de aplicar o conhecimento em benefício da própria comunidade. Para ele, o curso abre caminhos para melhorar as condições de vida das famílias que dependem de soluções energéticas mais eficientes e acessíveis. “A gente conseguiu esse resultado grandioso para nós, que a gente vai aplicar na nossa vida, na vida das pessoas ali que necessitam, que vão precisar do nosso conhecimento para que possam melhorar mais as suas necessidades”, aponta.
Além da qualificação profissional, o projeto busca fortalecer a autonomia das comunidades amazônicas ao preparar moradores para instalar, operar e realizar manutenção de sistemas de energia solar em seus próprios territórios. A estratégia contribui para a geração de renda local, reduz a dependência de assistência externa e estimula o desenvolvimento regional de forma sustentável.
Outro diferencial da iniciativa é o suporte técnico continuado oferecido aos participantes, conectando os alunos aos kits fotovoltaicos produzidos pela empresa parceira. A expectativa é criar uma rede de profissionais aptos a disseminar conhecimento tecnológico em regiões onde essas soluções ainda são pouco acessíveis.
Durante a cerimônia de formatura, o engenheiro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da BYD Brasil, Wilson Kerdy, destacou a importância da formação para o fortalecimento das comunidades atendidas. Segundo ele, os conhecimentos adquiridos deverão contribuir diretamente para a aplicação de soluções tecnológicas e sustentáveis nos municípios de origem dos participantes. “Agora vocês são profissionais na área, vocês estão vestidos a camisa relacionado ao conhecimento que vocês adquiriram. E vocês vão aplicar nas comunidades do município de vocês. Isso daí não tem preço. Então vocês têm que visar o crescimento profissional a cada dia”, ressalta Kerdy.
A formatura marcou o encerramento de uma etapa, mas também o início de uma nova jornada para os participantes. Emocionado, Rainnier Gomes lembrou das dificuldades enfrentadas ao longo do curso e da importância da conquista para os alunos que precisaram conciliar estudos, deslocamentos e responsabilidades cotidianas. “Esse momento aqui pra gente é muito importante. Chegar até o final foi desafiador, mas com a vontade que a gente tem de querer vencer, fez com que a gente conquistasse esse momento”, afirma o recém-formado.
Agora, o conhecimento adquirido retorna às comunidades junto com os novos profissionais formados. Em uma realidade onde muitos caminhos ainda são feitos pelos rios, iniciativas como o Manaós Solar 4.0 demonstram que a educação e a tecnologia também podem navegar pelas águas da Amazônia, levando oportunidades, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável para quem vive distante dos grandes centros.