Sejusc promove estímulo educacional de adolescentes por meio da montagem de quebra-cabeças

No Centro Socioeducativo Internação Feminina, passatempo é um aliado em tempos de pandemia

O Centro Socioeducativo Internação Feminina, gerido pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), desenvolve nos últimos meses um projeto pedagógico-terapêutico com quebra-cabeças. A proposta é trabalhar o raciocínio cognitivo, a ressocialização, comunicação e a autoestima das adolescentes.

O projeto dentro da unidade feminina surgiu diante da ociosidade causada pela pandemia e suspensão dos cursos profissionalizantes, como explica a secretária executiva de Direitos da Criança e Adolescente da Sejusc, Edmara Castro.

“Tivemos essa ideia, e conseguimos arrecadar alguns quebra-cabeças com amigos que começaram a praticar o hobby durante a pandemia. Geralmente as pessoas montam uma ou duas vezes e preferem repassar para outras pessoas. Elas têm montado quebra-cabeças de 500 a 1.500 peças, por exemplo”, afirma Edmara.

De acordo com a psicóloga da unidade, Jaqueline Jeffres, o passatempo, por ser um jogo que exige tempo e paciência, auxilia no desenvolvimento das relações ao promover o diálogo entre elas.

“Os quebra-cabeças ajudam a desenvolver atenção e memória, aumenta a capacidade lógica delas, habilidade de raciocínio, resolução de problemas que é o que a gente tenta trabalhar bastante com elas. A prática também ajuda na inteligência espacial, além de reforçar a questão da autoestima, porque quando conseguem finalizar a atividade elas ficam muito animadas e se sentem inteligentes”, destacou.

Desafios – Com jogos de até 1.500 peças, as jovens enfrentam o desafio de montar quadros e paisagens. Para a interna Clara* (nome fictício), a experiência é gratificante.

“Montar um quebra-cabeça me traz muitas emoções boas, percebo que sou capaz de qualquer coisa. Sei que não é fácil, mas quando monto, sei que o resultado vai ser mais gratificante para mim. Na hora em que trouxeram o jogo, achei que não seria capaz de terminar, mas consegui e foi satisfatório o meu mérito”, contou.

A diretora da Unidade de Internação Feminina, Jaqueline Nogueira, destaca os ganhos que a prática vem trazendo às internas: “A montagem do quebra-cabeça veio para fortalecer o trabalho em equipe. As meninas, quando adentram no sistema, muitas delas têm dificuldade de relacionamento com as outras por todo o histórico de competitividade. Esse projeto ajudou muito na questão da convivência, tanto que nos últimos meses não tivemos ocorrência de atrito entre adolescentes, e elas estão trabalhando esse espírito de colaboração”, disse.

FOTO: Raine Luiz/Divulgação