SENAI Amazonas forma primeiras turmas de técnicos em plástico


Em parceria com empresas, como a Tutiplast e a Motan Group, a instituição amplia qualificação para a indústria amazonense

SENAI Amazonas forma primeiras turmas de técnicos em plástico
Divulgação/FIEAM
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A formação de profissionais especializados para atender a indústria amazonense ganhou importante reforço com a conclusão das primeiras turmas de Técnico em Plástico, curso oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Amazonas), em parceria com a Tutiplast Indústria e Comércio Ltda. A cerimônia de formatura ocorreu sexta-feira (30), no auditório da Escola SENAI Antônio Simões, em Manaus, reunindo 56 novos técnicos, familiares, representantes das instituições e profissionais da indústria.

A iniciativa representa um marco para a formação profissional no Amazonas, especialmente para o Polo Industrial de Manaus (PIM), que reúne empresas de diferentes segmentos e possui uma cadeia produtiva diretamente relacionada à transformação de materiais plásticos. Até então, a oferta dessa formação técnica era uma lacuna para o setor na região Norte, obrigando profissionais interessados a buscar qualificação fora do estado.

A diretora executiva da Tutiplast e conselheira do SESI e SENAI, Mariana Reis Barrella, destacou que a criação do curso foi resultado de longa mobilização. Segundo ela, a ausência de uma formação específica em Manaus era uma dificuldade para um polo industrial com tamanha representatividade no segmento de transformação de plásticos.

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“É inaceitável que o maior polo de plástico da América Latina não tenha um curso de formação técnica. Eu tentei colocar esse curso de pé durante pelo menos 10 anos. Fomos buscar o SENAI, conversamos, tentamos diferentes caminhos, até conseguirmos estruturar essa formação. Hoje, depois de toda essa trajetória, ver vocês aqui são extremamente gratificantes”, disse ela.

Mariana ressaltou que investir em educação profissional significa também investir no futuro das empresas e da indústria amazonense. Para ela, a complexidade dos processos produtivos exige trabalhadores cada vez mais preparados, especialmente diante dos desafios relacionados à redução de resíduos, reciclagem, economia circular e utilização de novos materiais.

Qualificação para fortalecer a indústria

Paraninfo das turmas, o instrutor Odeniltom Bruce destacou a importância dos novos profissionais para a economia do Amazonas e para a continuidade do desenvolvimento do Polo Industrial de Manaus. Com quase 30 anos de experiência profissional, ele ressaltou que a formação vai além do domínio de máquinas e processos, pois prepara profissionais capazes de contribuir diretamente para a produtividade, a qualidade e a inovação industrial.

“Vocês não escolheram um curso qualquer. Escolheram entender e estudar um pouco mais sobre o material que sustenta o mundo moderno. Aqui em Manaus, temos um polo de plástico considerado o maior da América Latina, reunindo dezenas de indústrias de injeção, fábricas de compostos e filmes plásticos. Nós transformamos milhares de toneladas anualmente. E o Polo de Manaus não respira sem vocês”, afirmou Bruce.

Experiência internacional amplia horizontes

O investimento na formação também proporcionou aos melhores alunos da primeira turma uma experiência internacional. Entre os dias 10 e 16 de outubro, cinco estudantes integraram uma comitiva, organizada por Mariana Barrella, acompanhada por gestores da Tutiplast e pelo instrutor Odeniltom Bruce, que viajou à Alemanha.

A programação incluiu uma visita, em Constança, à Motan Group, empresa responsável pelo fornecimento de equipamentos para o laboratório do SENAI, além da participação na Fakuma, no Centro de Exposições de Friedrichshafen, uma das mais importantes feiras internacionais do setor de plásticos, que reúne fabricantes de máquinas, equipamentos, materiais e tecnologias de diferentes países.

Um dos contemplados foi Alex Braga, 38 anos, técnico de manutenção sênior da Tutiplast, que conquistou a primeira colocação da turma. Para ele, a viagem representou uma oportunidade de conhecer novas tecnologias e compreender como a indústria internacional trabalha para desenvolver soluções mais sustentáveis para o setor.

“Foi uma abertura de mente, um conhecimento inexplicável. Conhecer outro país, outra cultura e uma tecnologia diferente da nossa foi uma experiência maravilhosa. Pude trazer um pouco dessa vivência e desse conhecimento, que certamente não sairão da minha cabeça”, contou.

A conquista foi resultado de uma rotina de grandes desafios. Durante o curso, Alex trabalhava no terceiro turno da empresa e ainda conciliava dois cursos técnicos, um no período da tarde e outro à noite. O cansaço e o desgaste físico fizeram parte da jornada, mas não foram suficientes para interromper seus objetivos.

O conhecimento adquirido também teve reflexos em sua trajetória profissional. Segundo Alex, a formação permitiu compreender melhor a relação entre os processos de produção e a manutenção das máquinas, contribuindo para uma atuação mais segura na identificação e resolução de problemas. Durante esse período, ele também foi reconhecido pela empresa e passou de técnico pleno para técnico sênior.

Representatividade feminina na formação

A primeira turma também foi marcada pela participação de Kauany da Silva Souza, de 22 anos, única mulher entre os alunos. Funcionária da Tutiplast desde 2021, ela entrou na empresa como aprendiz na área de Engenharia, passou pelo setor administrativo e, posteriormente, conquistou uma oportunidade como assistente de produção, atuando no centro de reciclagem da empresa.

Para Kauany, participar de uma formação predominantemente masculina foi um desafio, mas também uma experiência de crescimento profissional e pessoal. Ela destacou o acolhimento recebido pelos colegas, que contribuíram para seu aprendizado, principalmente porque muitos já tinham experiência prática na área de injeção de plásticos.

Agora, Kauany já projeta novos passos na carreira. A intenção é iniciar uma graduação em Engenharia de Produção, ampliando suas possibilidades de atuação dentro da indústria.

Conquista que envolve toda a família

A conclusão do curso também foi motivo de orgulho para familiares que acompanharam de perto os desafios enfrentados pelos estudantes. Entre eles, estava Francisco de Souza, de 72 anos, pai do formando Ivany Gomes, técnico de manutenção sênior da Tutiplast.

Pai de um único filho, Francisco não escondeu a emoção ao acompanhar a entrega do diploma. Para ele, ver Ivany conquistar mais uma formação representa a satisfação de quem acompanhou sua trajetória e sempre buscou oferecer apoio para que pudesse construir um futuro melhor.

“É gratificante. Não tem nem como comparar. A maior satisfação é ver um filho formado, fazendo seu curso e continuando a vida melhor”, declarou.

Com oito anos de atuação na Tutiplast, Ivany destacou que a oportunidade de cursar Técnico em Plástico foi única, principalmente pela dificuldade de encontrar essa formação na região Norte.

“Esse curso não tinha aqui na região. A dificuldade de encontrar profissionais nessa área é muito grande. A oportunidade de fazer uma formação como essa, custeada pela empresa, foi maravilhosa. Para minha carreira, foi muito gratificante e abriu um leque de oportunidades”, afirmou.

Aulas em Manaus

As aulas foram realizadas no Laboratório de Processamento de Plástico Claudio Barrella, inaugurado em 28 de agosto, na Escola SENAI Waldemiro Lustoza, Cachoeirinha. O espaço foi estruturado para proporcionar aos estudantes uma experiência prática alinhada às exigências da indústria, com equipamentos de última geração doados pela Tutiplast e pela Motan Group, multinacional alemã com 80 anos de atuação e presença em mais de 70 países.

Entre os equipamentos estão cinco dosadores automáticos e um sistema completo de alimentação, que substitui o processo manual anteriormente utilizado. A tecnologia permite a desumidificação da matéria-prima e o transporte automatizado para máquinas injetoras e extrusoras, aproximando o ambiente de aprendizagem das condições encontradas nas linhas industriais de produção.

Fonte: FIEAM