figurinista Fabson Rodrigues
figurinista Fabson Rodrigues

Ter parintinenses no carnaval de São Paulo não é mais novidade. Porém, um artista do boi-bumbá ocupar um cargo de coordenação numa escola paulista não é tão comum. O figurinista tupinambarana, Fabson Rodrigues, é uma exceção e assina como coordenador de figurino da escola Mocidade Alegre há quatro anos.

Há oito anos Fabson iniciava uma jornada no carnaval de São Paulo. No Amazonas, ficou conhecido pelas impecáveis fantasias de itens femininos do Festival Folclórico de Parintins. Para o carnaval 2020, Fabson afirma que a Mocidade Alegre fará “um desfile memorável” e se orgulha de fazer parte deste projeto.

O trabalho

Com uma equipe de 10 pessoas entre costureiras e aderecistas, o trabalho do parintinense inicia em julho, quando viaja a Sampa para fazer os protótipos das alas. São dois meses de estudos, pesquisas, avaliações e confecção dos pilotos das fantasias. “Carnaval é muito diferente de festival. É um trabalho grandioso com cerca de três mil pessoas que participam disso. A rotina é trabalho, trabalho e trabalho”, conta.

Fabson iniciou sua vida no samba paulistano quando foi convidado pelo também parintinense Márcio Gonçalves, atual carnavalesco da Mocidade, uma vez que se destacava como artista no Festival de Parintins. Ele começou como membro de equipe de ateliê e hoje comanda essa equipe de figurino. Ele dá um recado aos seus próprios funcionários: “trabalhem, trabalhem, trabalhem, porque sempre tem alguém te olhando. Eu já estive no lugar de vocês, eu comecei assim. Eu percebi que o reconhecimento, a cada ano que passa, na escola onde eu trabalho, só cresce”, revela.

Mente aberta

A ida para o carnaval acabou dando novos ares aos trabalhos do artista parintintin. A diferença é visível nas indumentárias que levam a assinatura dele. Novidades de estilo, versatilidade na utilização de novos materiais, criatividade e plasticidade que geraram uma estética peculiar ao artista. “Quem trabalha no carnaval tem uma mente mais aberta. A cada ano a gente fala de um tema variado e foge muito do festival e acaba influenciando no nosso trabalho”, explica.

Mocidade Alegre

Doze vezes campeã, a Mocidade Alegre, que tem como presidente Solange Bichara, é a escola que mais leva parintinenses para o carnaval de São Paulo. Ateliê, escultores, pintores, casal de cozinheiro (um cuidado especial com a alimentação específica dos parintinenses), artesão e demais artistas para reprodução de alas, revestimento e decoração de carros alegóricos. Cerca de 50 pessoas no barracão. Fabson e se destaca nesse número, são oito anos de trabalho e já ocupa um cargo de coordenador. Márcio Gonçalves também é referência, sendo carnavalesco da escola.

Este ano a escola traz o enredo “Do canto das Yabás resnasce uma nova morada”. Um enredo guardado a sete chaves e foi desenvolvido pela historiadora e irmã da presidente, Elaine Cristina Bichara. A escola de samba vai contar a história das orixás femininas no carnaval de São Paulo. As Yabás, na religião africana, representam os orixás femininos e, no Sambódromo, elas vão celebrar a natureza, o mundo. Um tema cultural, religioso e, ao mesmo tempo, social e muito atual.

“É um grito feminino. O enredo fala das cinco mulheres orixás. Cada setor foi pensada numa delas e no final elas se juntam pra criar uma nova morada. Mostra muito o que está acontecendo hoje com as mulheres. Vamos fazer com que elas tragam um novo renascimento para o nosso mundo”, finaliza Fabson.

figurinista Fabson Rodrigues

Fotos: arquivo pessoal
Eldiney Alcântara

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