A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) sediou, na noite desta quarta-feira, 16 de setembro, a abertura do 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS), promovido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). A cerimônia ocorreu no Auditório Eulálio Chaves e marcou o início oficial do evento, que segue até sábado, 19 de setembro, com o tema “Interculturalidade, Ambiente e Saúde: os desafios do século XXI para uma vida em conexão com os territórios”.
Realizado pela Abrasco, em parceria com a Ufam, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), o congresso reúne pesquisadores, estudantes, profissionais de saúde, representantes de movimentos sociais e outros atores do campo da Saúde Coletiva para discutir questões contemporâneas relacionadas à saúde e às Ciências Sociais e Humanas em Saúde.
A cerimônia de abertura contou com a participação do presidente da Abrasco, Rômulo Paes de Sousa; do presidente do 10º CSHS, Henrique Saldanha; do presidente da Comissão Organizadora Local, André Luiz Machado das Neves; do integrante da Comissão Organizadora Local, Breno de Oliveira Ferreira; da presidente da Comissão Científica, Marta Verdi; da reitora da Ufam, Tanara Lauschner; do diretor da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA) da UEA, Antônio Palhares, representando o reitor; da secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Maria Aparecida Cina da Silva, representando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; da diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes; e da conselheira Ana Carolina Freire, representando a presidência do Conselho Federal de Psicologia.
Antes da cerimônia, os congressistas participaram de um cortejo guiado pelos bois-bumbás até o Auditório Eulálio Chaves. A programação cultural contou ainda com a apresentação do grupo Cateto da Toada, que levou ao palco músicas relacionadas ao Festival de Parintins.

Saúde, democracia e território
Em seu discurso, o presidente do Congresso, Henrique Saldanha, destacou os 40 anos da Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da Abrasco e lembrou momentos da história da Saúde Coletiva brasileira, como a Assembleia Nacional Constituinte, o movimento da Reforma Sanitária e a 8ª Conferência Nacional de Saúde.
Saldanha também abordou a necessidade de considerar marcadores sociais como classe, raça e gênero nas discussões sobre o Brasil e o Sistema Único de Saúde (SUS). Para ele, a realização do congresso na Amazônia representa a aproximação do campo da Saúde Coletiva com os territórios da região.
“A defesa da democracia não é para nós uma abstração, ela se materializa na defesa da vida, do SUS, da ciência, das universidades públicas, dos territórios, dos direitos dos povos, da possibilidade de uma sociedade onde nós possamos decidir coletivamente sobre nosso futuro”, declarou.
A secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Maria Aparecida Cina da Silva, também destacou a importância de discutir as diferentes realidades brasileiras para a construção de políticas públicas de saúde.
“Estar na Amazônia para discutir interculturalidade, ambiente, saúde e território nos coloca diante de questões fundamentais para o presente e futuro do SUS. A Amazônia nos mostra, de maneira muito concreta, que não é possível pensar em uma política de saúde, sem considerar as diferentes realidades do país”, afirmou.
Ufam e a produção de conhecimento na Amazônia
Anfitriã do evento, a reitora da Ufam, Tanara Lauschner, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância de receber o congresso na universidade e na Amazônia.
“A Ufam está muito feliz e orgulhosa de sediar esse congresso. Receber um evento da Abrasco, na Ufam, na Amazônia, tem um significado enorme. Estamos recebendo uma Associação que faz parte de uma das mais bonitas conquistas democráticas do nosso país. Antes do SUS existir, muita gente precisou dizer que saúde não poderia ser mercadoria, favor ou privilégio”, afirmou.
A reitora também destacou a relação entre a construção do SUS e o processo de redemocratização brasileira e ressaltou que a garantia de direitos depende de instituições, políticas públicas, ciência, participação social e mobilização.
Ao abordar os desafios da saúde na Amazônia, Tanara chamou atenção para as particularidades geográficas e de conectividade da região.
“As distâncias aqui não se medem em quilômetros. Elas se medem em horas, em dias, com a diferença de quando o rio está cheio, de quando o rio está seco, que as distâncias podem ser muito maiores ainda dependendo da situação geográfica”, disse.
A reitora defendeu ainda a produção de conhecimento sobre a Amazônia a partir da participação das populações que vivem e atuam na região. “Nós queremos um Brasil que produza conhecimento sobre a Amazônia, com a Amazônia”, afirmou. Nesse contexto, destacou a presença da Ufam em diferentes municípios do Amazonas, com unidades em Parintins, Itacoatiara, Coari, Humaitá e Benjamin Constant, além do processo de implementação do campus de São Gabriel da Cachoeira.
A reitora também convidou os participantes a conhecerem o campus universitário e a dialogarem com estudantes e integrantes da comunidade acadêmica. Ela destacou os cerca de 670 hectares de floresta nativa preservados na área do Campus Universitário Arthur Virgílio Filho.“Conversem com os nossos alunos, com a nossa gente e principalmente conectem esse congresso ao território que o recebe”, afirmou.
Ao encerrar sua fala, Tanara destacou a defesa da ciência, do SUS, da universidade pública e da democracia como elementos relacionados à garantia de direitos. “Vamos defender a ciência, defender o SUS, defender a universidade pública, a democracia, defender o direito de todos a um futuro melhor. Que seja um congresso histórico num momento histórico”, concluiu.
Crescimento das Ciências Sociais e Humanas em Saúde
Antes do pronunciamento oficial de abertura do Congresso, o presidente da Abrasco, Rômulo Paes de Sousa, destacou o crescimento da área de Ciências Sociais e Humanas em Saúde no campo da Saúde Coletiva brasileira.
“Esse é o maior congresso da área de CSHS da Abrasco. A área de CSHS é a que mais cresce no campo da Saúde Coletiva, no Brasil, nos programas de pós-graduação e, também, no número de profissionais que ingressam para atuar no SUS e espaços onde a Saúde Coletiva opera”, afirmou.
Durante a cerimônia, também foram realizadas homenagens póstumas aos professores e pesquisadores José Ivo Pedrosa, Ana Maria Canesqui e Madel Therezinha Luz, em momento conduzido pela presidente da Comissão Científica, Marta Verdi.
Formação de sanitaristas indígenas
O encerramento da cerimônia foi marcado pela entrega de certificados de conclusão do mestrado em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), promovido pelo ILMD/Fiocruz Amazônia, a cinco sanitaristas indígenas.
A secretária adjunta da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), Putira Sacuena, destacou a importância da formação de profissionais indígenas para a atuação na gestão e no planejamento das políticas de saúde.
“Ter indígenas formados como sanitaristas significa fortalecer uma saúde indígena pensada a partir de dentro dos territórios, por profissionais que conhecem as suas realidades, compreendem suas especificidades e podem contribuir para transformar necessidades concretas em políticas, estratégias e ações”, afirmou.
O 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde segue com programação até 19 de setembro, no Campus Universitário Arthur Virgílio Filho, em Manaus. No pré-congresso, realizado antes da abertura oficial, foram registradas 1.104 pessoas nas atividades, que incluíram 56 oficinas, 23 minicursos, 12 reuniões, 11 encontros, oito fóruns, um simpósio e um cinedebate.
Assessoria de Comunicação da Ufam com informações da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
Fonte: UFAM




