MP do Amazonas instaura inquérito para apurar atuação de forças de segurança em reintegração de posse em Manaus


O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou inquérito civil para apurar as circunstâncias da atuação de forças de segurança estaduais e…

Proceapsp requisita informações às autoridades para esclarecer se havia mandado judicial de reintegração de posse. Autoridades têm até dez dias úteis para responder ao MPAM
Tunico Santos/Rios de Notícias
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O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou inquérito civil para apurar as circunstâncias da atuação de forças de segurança estaduais e municipais durante uma ação de reintegração de posse em uma área na avenida 7 de Maio, bairro Santa Etelvina, em Manaus, nesta quarta-feira (28). A investigação busca esclarecer a dinâmica da operação, inclusive a existência de eventual mandado judicial, e verificar possíveis responsabilidades.

O inquérito civil foi assinado pelo promotor de Justiça Armando Gurgel Maia, da 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (60ª Proceapsp). Informações preliminares e registros audiovisuais apontam a existência de edificações consolidadas na área, inclusive construções de alvenaria.

Após interlocução com o comando da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), as tropas estaduais foram retiradas do local. O inquérito também busca esclarecer a participação dos agentes públicos na operação e apurar se houve emprego de meios letais ou não letais, bem como se houve registro de pessoas feridas ou de danos materiais.

A Proceapsp requisitou à Polícia Militar informações sobre a operação, a solicitação que motivou o emprego policial, a existência de ordem judicial e eventuais ocorrências relacionadas ao uso da força. À Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social e à Guarda Municipal, foram solicitados dados sobre os agentes responsáveis pela coordenação da ação, as escalas de serviço, possíveis danos materiais e a origem das ordens para a realização da medida.

A Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf) também deverá informar a titularidade formal do imóvel, o histórico da ocupação da área e eventual vinculação ao programa Minha Casa, Minha Vida.

Recomendação

Além da instauração do inquérito civil, a 60ª Proceapsp expediu recomendação ao prefeito de Manaus, ao secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Social, ao comandante da Guarda Municipal e ao comandante-geral da PMAM. O documento recomenda a interrupção imediata das medidas coercitivas de desocupação, das demolições e dos demais atos materiais de reintegração possessória na área.

A recomendação orienta a Prefeitura a determinar a cessação do emprego ofensivo da força e a retirada dos equipamentos de demolição do local. À Secretaria Municipal de Segurança e à Guarda Municipal, recomenda a interrupção de incursões coercitivas, dispersões de moradores e apoio a demolições, limitando a atuação da guarda à proteção e à retirada pacífica de servidores e equipamentos municipais.

À PMAM, o documento recomenda a manutenção da retirada das tropas e a recusa de apoio a medidas administrativas de desocupação coletiva sem ordem judicial.

As autoridades notificadas têm prazo de até três horas, contado do recebimento formal da recomendação, para informar à Promotoria se acataram as medidas e comprovar a interrupção das condutas questionadas e o recuo operacional da força municipal. As demais informações requisitadas deverão ser encaminhadas no prazo de até dez dias úteis.


Texto: Karla Ximenes

Fonte: MPAM