Pesquisa da Ufam analisa novos contratos globais e papel da Amazônia no reordenamento geopolítico mundial no século XXI


Intitulada "The Utopias of New World Contracts and Amazonia", a pesquisa foi publicada pelo professor do Departamento de Física dos Materiais da…

Pesquisa da Ufam analisa novos contratos globais e papel da Amazônia no reordenamento geopolítico mundial no século XXI
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Intitulada “The Utopias of New World Contracts and Amazonia”, a pesquisa foi publicada pelo professor do Departamento de Física dos Materiais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), docente Marcílio de Freitas, no Journal of Anthropological and Archaeological Sciences, volume 12, edição 5. O estudo analisa propostas de reorganização política, social, econômica e ambiental para o século XXI e destaca a Amazônia como parte integrante das discussões sobre sustentabilidade, mudanças climáticas, desigualdade social e dessa nova ordem geopolítica.

Utopia como estratégia metodológica

O artigo apresenta a utopia como uma estratégia metodológica para analisar problemas contemporâneos e identifica cinco propostas que orientarão os processos socioantropológicos no século XXI: a construção de um contrato político mundial; a consolidação da democracia participativa em um sistema político universal; a criação de um novo contrato natural diante dos riscos relacionados às mudanças climáticas e à injustiça ambiental; a construção de um contrato social baseado nos direitos humanos; e um contrato ético entre as nações. Segundo o estudo, essas propostas têm relação direta com a Amazônia.

Para o docente Marcílio de Freitas, a sustentabilidade ocupa posição central na materialidade dessas propostas. “O paper defende uma reorganização econômica e política mundial que abrange a distribuição de riqueza, a construção da paz e a integração social e econômica entre os países. Nesse contexto, a sustentabilidade é apresentada como elemento para ressignificar os conceitos de desenvolvimento econômico e cidadania”, explicou.

Amazônia e a nova geopolítica

O professor também declara que a implementação de um novo contrato político mundial possibilitará a construção de estratégias diplomáticas para solucionar as disputas entre países e a descentralização dos poderes econômicos e políticos dos países centrais. “A pesquisa propõe a construção de uma governança global que considere diferentes regiões, culturas e perspectivas. O artigo também relaciona esse processo à necessidade de incorporar a sustentabilidade às políticas públicas e aos processos econômicos globais, defendendo que uma nova ordem política e econômica deve considerar diferentes formas de organização social, cultural e política e propõe a democracia como sistema político universal, associada à eliminação do racismo e do antropocentrismo”, destacou.

A Amazônia é incorporada nesse cenário em razão de sua disponibilidade de recursos naturais e de sua importância nas discussões sobre o futuro ambiental e econômico do planeta. Na dimensão ambiental, relaciona-se a crise climática à necessidade de estabelecer um novo contrato mundial sobre o uso e proteção da natureza. “A manutenção dos atuais padrões de produção, circulação e acumulação do capital apresenta contradições com a preservação ambiental. Faz-se necessário construir políticas regionais e globais voltadas à conservação dos recursos naturais, incluindo solos, águas e atmosfera. Neste contrato ambiental, a Amazônia é apresentada como parte das discussões e soluções sobre práticas de combate às mudanças climáticas e de sustentabilidade, considerando sua diversidade biológica e cultural, além de participante ativa na formulação de um novo contrato natural mundial”, detalhou o pesquisador.

Desigualdade e direitos sociais

O estudo também propõe um contrato social mundial voltado ao enfrentamento das desigualdades e à implementação de políticas multiculturais. Entre os problemas identificados estão racismo, pobreza, guerras, desemprego estrutural, destruição ecológica, trabalho infantil, doenças e crise moral. “Há necessidade de mais integração entre as políticas públicas de saúde, educação e cultura e a mobilização da opinião pública internacional, considerando as particularidades locais”, disse.

Contrato ético

A quarta dimensão analisada pelo docente Marcílio de Freitas é a necessária construção de um contrato ético pluricultural. A proposta tem como fundamentos a autodeterminação dos povos, a tolerância política e religiosa, o respeito às diferenças e a dignidade humana. “O artigo também relaciona essa perspectiva à regulação dos mercados, à atuação do Estado na garantia dos direitos humanos básicos e à formulação de políticas públicas, com a educação e as artes como referências simbólicas. Nessa perspectiva, o artigo defende uma concepção de sustentabilidade associada não apenas ao desenvolvimento técnico, mas também a uma dimensão ética. A Amazônia é inserida nessa discussão a partir de sua relação com a natureza, a sociedade, a cultura e a espiritualidade. O texto também aborda a injustiça ambiental, o racismo e a desigualdade social como problemas relacionados à destruição ecológica e cultural da região”, finalizou o pesquisador.

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Fonte: UFAM