Segunda edição do Integra FIC discute presença feminina na ciência brasileira


A Faculdade Informação e Comunicação (FIC) deu início à programação da segunda edição do Integra FIC, evento voltado para a integração entre ensino,…

Segunda edição do Integra FIC discute presença feminina na ciência brasileira
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A Faculdade Informação e Comunicação (FIC) deu início à programação da segunda edição do Integra FIC, evento voltado para a integração entre ensino, pesquisa e extensão da comunidade acadêmica da unidade. Durante a manhã desta quinta-feira, 15, ocorreu a realização da palestra magna sobre mulheres na ciência, ministrada pela professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maria Aparecida Moura, no auditório Rio Negro, no setor Norte do campus de Manaus. Outras atividades serão realizadas à noite e na sexta-feira, 16.

De acordo com a diretora da FIC, professora Inara Costa, a intenção é que o Integra FIC seja realizado anualmente para que os membros da unidade possam compartilhar seus trabalhos e, assim, construírem propostas de ações conjuntas. “O Integra FIC é um projeto nosso que já começou desde o ano passado, então esta é a segunda edição, onde a ideia é a gente fazer a integração entre ensino, pesquisa, extensão, entre os cursos da graduação e da pós-graduação e entre os próprios cursos, envolvendo alunos, professores e técnicos. É muito importante a gente conseguir se integrar de maneira que projetos saiam em parceria, que assuntos importantes para a graduação também sejam trabalhados na pós-graduação e de maneira que a gente consiga enriquecer”, expôs a gestora. Já estamos colhendo os frutos da primeira edição. Temos vários alunos, inclusive de diferentes cursos, participando de diferentes projetos, então tem aluno ou professor de Jornalismo participando de Biblioteconomia, tem professor de Biblioteconomia participando de Arquivologia, então a gente já consegue perceber essas mudanças”, completou.

Palestra Mulheres na Ciência

Com o tema “Mulheres na ciência: protagonismo e desafios contemporâneos da informação e comunicação”, a palestrante convidada, professora Cida Moura, abordou um pouco da realidade brasileira para falar sobre a presença feminina na ciência do país. “A minha questão aqui é falar um pouco sobre a natureza desse protagonismo, mas pensando especialmente como que o campo da informação e da comunicação atuam nesse processo, tentando colocar em evidência que algumas estratégias ou mesmo princípios, que por vezes a gente pensa que são naturais, são princípios que por vezes podem incorporar uma certa exclusão, desde pensar um pouco a atribuição da ciência como algo naturalmente masculino, como naturalmente branco, então a gente vai pensar aqui um pouco essas estruturas que a gente chama de estruturas de poder”, registrou a professora da UFMG.

A professora Cida Moura expôs as desigualdades sociais, inclusive de acesso à educação, como uma das razões para a menor participação de mulheres na ciência brasileira. “É pensar que as mulheres em grande parte do Brasil têm o dever de cuidado. Não é que é o dever, mas elas têm a função de cuidar dos pais mais velhos, de cuidar dos filhos, do companheiro. Às vezes, isso não é visto como um elemento a mais, mas é um elemento adicional no processo do cotidiano das mulheres no seu fazer científico. Então, uma das primeiras coisas é ampliar as oportunidades, é incorporar essa característica no cotidiano das mulheres como um elemento inibidor ou impedidor. Eu estava analisando os dados do CNPQ, por exemplo, as mulheres entram com um volume até considerável de bolsas de iniciação científica, por exemplo. Mas quando chega lá no grau máximo, que é a bolsa de produtividade, essas mulheres estão menos representadas nesse contexto. Então, é a gente tentar, não ver os impedimentos com naturalidade, mas também pensar a presença dessas mulheres nas instâncias de poder, de decisão, para que a gente produza uma sensibilidade também em relação a esse assunto”, ressaltou.

Para Mikaele Rodrigues, estudante do curso de Jornalismo, o Integra FIC é uma excelente oportunidade para expandir os horizontes em relação à carreira profissional. “Eu gostei bastante, principalmente porque a palestrante convidada, a professora Cida Moura, eu pesquisei um pouco, e ela veio de movimentos sociais. E também, quando a pessoa chega na faculdade, ela escolhe um curso que, às vezes, ela pensa que só tem uma oportunidade de atuação no mercado de trabalho. Ela acha que vai se formar e vai seguir só nesse ramo. E aqui, a gente vê que tem o ramo científico e, com a iniciação científica, a gente vê que não é somente isso, a pessoa pode conseguir uma carreira de pesquisadora, pode ir por outros caminhos, o que é bem interessante”, disse.

A programação do Integra FIC segue no início da noite, às 18h30, quando acontece o “Café com Ciência”, um encontro para compartilhar experiências, trajetórias acadêmicas e reflexões sobre os desafios e as possibilidades de atuação das mulheres na ciência, também com a professora Cida Moura. O evento é aberto ao público em geral. O segundo dia de programação inclui a apresentação de 10 projetos de iniciação científica dos diferentes cursos da FIC. Todas as atividades ocorrem no auditório Rio Negro.

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Fonte: UFAM