Você sabe reconhecer o capacitismo? Atitudes comuns podem criar barreiras para pessoas com deficiência


INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE Você sabe reconhecer o capacitismo?

Você sabe reconhecer o capacitismo? Atitudes comuns podem criar barreiras para pessoas com deficiência
Divulgação/hubrasil.gov.br
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INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE

Você sabe reconhecer o capacitismo? Atitudes comuns podem criar barreiras para pessoas com deficiência

Semana da Pessoa com Deficiência no HUGV promove debate sobre inclusão, direitos, acessibilidade e enfrentamento ao capacitismo

Manaus (AM) – Falar com o acompanhante em vez de se dirigir diretamente à pessoa com deficiência, tratar um adulto de forma infantilizada ou presumir que alguém não consegue realizar determinada atividade. Atitudes como essas podem acontecer no cotidiano sem que sejam percebidas como uma forma de preconceito, mas ajudam a entender um conceito que vem ganhando espaço nas discussões sobre inclusão: o capacitismo.

“Capacitismo é, em resumo, o preconceito contra a pessoa com deficiência. É aquela ideia ultrapassada de achar que ter uma deficiência define o que a pessoa consegue ou não fazer, ou o quanto ela vale”, explica a nutricionista Luciana Santana, membro da Comissão Biopsicossocial da Pessoa com Deficiência do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à HU Brasil.

Entre as formas mais comuns de capacitismo estão piadas, imitações ou apelidos relacionados à deficiência; falar com acompanhantes em vez de se dirigir diretamente à pessoa; excluir a pessoa de atividades sob o argumento de protegê-la; usar termos relacionados à deficiência como ofensa; e reproduzir expressões cotidianas que associam deficiências a características negativas.

“Sabe quando alguém fala com um adulto usando voz de criança? Ou quando elogiam algo super comum que a pessoa fez como se fosse um ‘milagre de superação’? Ou até quando a gente organiza uma reunião ou um espaço sem pensar se todo mundo vai conseguir acompanhar? Tudo isso é capacitismo”, exemplifica Luciana.

O tema está no centro da Semana da Pessoa com Deficiência no HUGV, realizada nos dias 29 e 30 de setembro, com o tema “Olhares para a Inclusão: vivências sobre deficiência e capacitismo”, em alusão ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

Barreiras vão além do acesso físico

Dentro de um hospital, garantir acessibilidade vai além de rampas, elevadores e adaptações estruturais. A forma de receber, comunicar informações e se relacionar com a pessoa com deficiência também pode facilitar ou criar barreiras durante o atendimento.

Segundo Luciana, essas barreiras podem surgir quando se presume o que o paciente consegue ou não fazer, quando suas necessidades não são consideradas ou quando a comunicação não ocorre de maneira acessível. Aspectos do próprio ambiente, como excesso de ruídos, luzes intensas e longos períodos de espera, também podem representar dificuldades adicionais para pessoas com sensibilidades sensoriais.

A atenção deve incluir ainda as deficiências que não são imediatamente perceptíveis. “É preciso acreditar quando a pessoa fala sobre aquilo de que precisa, principalmente nas deficiências invisíveis. Também é importante tratar adulto como adulto e buscar informação. Não devemos esperar que a pessoa com deficiência tenha que nos ensinar tudo”, diz.

Outra barreira pode surgir quando o profissional se dirige primeiro ao acompanhante e não ao próprio paciente. “Na prática, isso é invisibilizar a pessoa. Quando o profissional de saúde vira para o acompanhante e pergunta ‘o que ele está sentindo?’ em vez de perguntar para o próprio paciente, ele está tirando a autonomia daquela pessoa”, explica Luciana.

O mesmo princípio vale na hora de oferecer auxílio. Em vez de presumir que a pessoa precisa de ajuda, a orientação é perguntar. “Se a pessoa disser que não precisa, respeite. Se disser que sim, ela mesma vai explicar o jeito de ajudar. Sem tirar a independência dela”, orienta.

Inclusão também passa pelo cuidado em saúde

Para Luciana, discutir capacitismo em uma instituição de saúde é importante porque barreiras de comunicação e de atitude podem interferir no acesso ao cuidado. “Se a gente deixa o capacitismo entrar aqui, criamos barreiras para que as pessoas acessem a saúde”, destaca.

Ela ressalta ainda o papel de formação do HUGV como hospital universitário. “A gente tem o dever de formar novos médicos, enfermeiros e profissionais de saúde entendendo a diversidade com respeito.”

No HUGV, a Comissão Biopsicossocial da Pessoa com Deficiência atua em procedimentos relacionados às pessoas com deficiência no âmbito institucional, incluindo a proposição de medidas de inclusão, acessibilidade e adequação funcional.

Semana da Pessoa com Deficiência

A programação da Semana da Pessoa com Deficiência começa nesta terça-feira (29), no HUGV, com o curso “Vivências sobre as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência no cotidiano hospitalar”. A programação segue na quarta-feira com palestras que envolvem o tema “Inclusão, direitos e enfrentamento ao capacitismo”.

Sobre a HU Brasil

O HUGV-Ufam faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

Serviço:

O que: Semana da Pessoa com deficiência

Onde: HUGV

Quando: 29 (14h30) e 30 de setembro (10h)

Mais informações:

Anik Espara – Chefe da Comunicação do HUGV (92) 3305-4717 / 92 9 8198-3214; Emiliana Monteiro – Jornalista do HUGV (92) 9 9127-8416

Fonte: hubrasil.gov.br