Campanha ‘Meu Pai Tem Nome’, que realiza exames gratuitos, entregou 36 resultados em Manaus neste sábado (31)
Ada Pimentel, de 33 anos, chama Lauro Teixeira, de 57 anos, de pai há mais de uma década. Neste sábado (31), entre lágrimas e sorrisos, os dois tiveram a confirmação do vínculo biológico durante a ação de entrega de exames de DNA da campanha ‘Meu Pai Tem Nome’. No mesmo dia, o pizzaiolo também recebeu a confirmação de paternidade de outros dois filhos de mães diferentes: Anderson Santos, 34, e Juliana Silva, 29. Todos os exames foram coletados durante a ação da campanha, realizada em Manaus, no dia 1º de agosto.
Hoje, durante os atendimentos realizados na sede da Defensoria Pública do Amazonas (DPAM), na avenida André Araújo, 679, no bairro Aleixo, pai e filhos receberam orientação jurídica e encaminhamentos para a inclusão do nome do genitor na certidão de nascimento.
Para Ada, o resultado foi apenas a confirmação legal de uma relação que os dois já construíam havia anos. Embora tenha o nome de outro homem na certidão, ela afirma que a inclusão do sobrenome Teixeira será motivo de orgulho e um exemplo para outras famílias.


“Esse gesto serve de exemplo para muitos pais que ainda não registraram seus filhos biológicos e que não têm o cuidado de pensar nas despesas e reforça a importância do reconhecimento de paternidade”, disse.
Juliana, por sua vez, foi surpreendida pelo resultado, já que conviveu pouco com Lauro. Ela conta que passou alguns anos em abrigos de acolhimento antes de morar com o padrasto, que a registrou, e sempre se perguntou como era a família de origem.
“É uma sensação diferente. Sou grata pela ajuda, foi uma grande oportunidade de saber da minha origem, de onde eu vim. É algo muito bom mesmo”, disse.
O último dos irmãos a receber a confirmação foi Anderson, que passou a ser amigo do pai assim que o conheceu. “Independente do resultado, a gente já era amigo e se desse negativo, a gente ia continuar sendo amigo”, afirmou.


Lauro conta que, desde que soube da existência dos filhos, queria confirmar a paternidade para registrá-los e resolver os trâmites legais, inclusive em caso de sua morte, mas só conseguiu realizar o desejo por meio da Defensoria, que custeou todos os exames.
“Se não fosse a Defensoria, a gente não ia conseguir fazer, porque ninguém aqui tem condições. Foi um bom momento para a gente e, imagino, para outras pessoas também”, afirmou.
Resultado confirma paternidade de bebê de 8 meses
A família do pequeno Isaac*, de 8 meses, também comemorou o resultado positivo do exame. O bebê nasceu de um breve relacionamento entre João*, de 35 anos, e Maria*, de 33 anos, e teve um início de vida difícil. A mãe conta que o menino nasceu prematuro e precisou ficar internado por três meses, dependendo de aparelhos para respirar. Sem a confirmação da paternidade, ela enfrentou a situação sozinha.
“Agora, com esse resultado, vai ser bem melhor, porque vou ter um apoio. Ele vai me ajudar bastante com as consultas e com a convivência”, disse.
João se emocionou ao saber que é pai de um menino, um sonho que alimentava, mas para o qual achava que ainda não estava preparado. Com o laudo positivo, comprometeu-se a oferecer todo o suporte financeiro e emocional à criança.
“Ele é um milagre de Deus e eu vou arcar com todo o papel de pai. Ele está com meu sobrenome e eu vou dar o meu melhor para ele”, declarou.
Entrega de exames
Neste sábado, a Defensoria entregou 36 resultados de testes coletados em Manaus em 1º de agosto. Naquela data, a ação foi realizada em outros 18 municípios do Amazonas, onde foram coletados mais 51 exames. Os resultados do interior seguem um cronograma próprio de agendamento diretamente organizado por cada unidade nas cidades onde a iniciativa aconteceu.
Criada para garantir o direito ao reconhecimento de paternidade a quem não tem o nome do pai na certidão de nascimento, a campanha oferece exames de DNA gratuitos e atendimento jurídico e psicossocial.


A defensora pública Petra Sofia, coordenadora da área de Família da Defensoria, explica que o exame é apenas o primeiro passo de um processo que busca assegurar todos os direitos dos filhos.
“A partir do laudo positivo, a equipe jurídica pode dar entrada em ações de pensão alimentícia e guarda, por exemplo. Também oferecemos todo o suporte psicológico e orientação para garantir o vínculo afetivo, que é um dos pontos mais importantes”, explicou Petra.
Nomes fictícios para preservar a identidade das famílias.
Texto: Thamires Clair
Fotos: Luiz Felipe/DPAM
Fonte: DEFAM




