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FIEAM aproxima setor produtivo do BNDES em busca de crédito para indústria e desenvolvimento do Amazonas A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) quer ampliar a interlocução do setor produtivo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para transformar a expansão do crédito em novos investimentos no Estado. O movimento ganhou força nesta quinta-feira (10), em Manaus, durante o encontro “Balanço da Atuação do BNDES no Amazonas”, que reuniu o presidente da FIEAM, Antonio Silva, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, empresários e representantes de instituições públicas e entidades de classe. Na abertura do encontro, Antonio Silva destacou a importância de aproximar a indústria dos mecanismos de financiamento e ressaltou a atuação do BNDES em projetos considerados estratégicos para o Amazonas, como saneamento, infraestrutura e expansão da atividade industrial. Para o presidente da FIEAM, a presença de Mercadante em Manaus representa também uma oportunidade de estreitar uma relação que pode resultar em novos projetos para o Estado. “Essa parceria foi muito importante. Mercadante veio aqui para fazer uma prestação de contas e ele fez. Os investimentos estão sendo feitos no saneamento, na infraestrutura e na indústria. Então é importante a parceria do BNDES da forma como está sendo feita. E cada vez mais nós vamos aproximar”, afirmou Antonio Silva. A agenda defendida pela FIEAM inclui ainda a ampliação dos investimentos em qualificação profissional no interior. Antonio Silva apontou como uma das principais demandas do setor produtivo o fortalecimento da formação oferecida pelo SENAI, por meio dos barcos-escola, especialmente para municípios que dependem do transporte fluvial. Segundo ele, a entidade busca o apoio do BNDES para viabilizar o terceiro barco-escola SENAI, o Samaúma III, ampliando o alcance da qualificação profissional no Estado. A aproximação ocorre em um momento de forte expansão da atuação do banco no Amazonas. Entre 2023 e junho de 2026, o BNDES aprovou R$ 5,65 bilhões em operações no Estado e desembolsou R$ 3,42 bilhões. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram R$ 496,17 milhões em aprovações e R$ 853,33 milhões em desembolsos. Para Mercadante, o Amazonas ocupa uma posição estratégica na agenda de desenvolvimento da Amazônia. O presidente do BNDES destacou especialmente o papel do Polo Industrial de Manaus (PIM), que, em sua avaliação, combina geração de investimentos, empregos e arrecadação com uma contribuição importante para a proteção da floresta. “O Polo Industrial de Manaus é um êxito em termos do volume de investimento, da geração de impostos, geração de empregos e foi muito importante para a proteção da floresta.” Mercadante ressaltou que o desafio regional vai além da manutenção da atividade industrial. Com uma população amazônica mais jovem que a média brasileira, o Estado demanda investimentos em educação, empregabilidade e geração de oportunidades. Ao mesmo tempo, existe espaço para ampliar o processamento e a comercialização de produtos da biodiversidade amazônica, agregando valor às cadeias produtivas locais. A indústria aparece entre os principais destinos da nova onda de financiamento. Dados apresentados pelo BNDES mostram R$ 2,4 bilhões em aprovações relacionadas à Neoindustrialização e R$ 592,2 milhões em inovação no Amazonas entre 2023 e julho de 2026. A carteira inclui projetos de empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM), com recursos destinados à modernização tecnológica, transformação digital, pesquisa e desenvolvimento. Entre os exemplos está a Positivo Tecnologia, que recebeu R$ 288 milhões em apoio do banco para ampliar capacidade produtiva e atualizar tecnologicamente unidades industriais, incluindo a fábrica de Manaus. O Grupo Multi conta com R$ 176 milhões para um plano estratégico de inovação e Indústria 4.0, enquanto a Novamed recebeu R$ 27,5 milhões para ampliar sua estrutura de pesquisa, desenvolvimento e inovação em Manaus. A estratégia também busca alcançar empresas menores. Em 2026, os desembolsos do BNDES para micro, pequenas e médias empresas no Amazonas chegaram a R$ 218,1 milhões. Desde 2023, esse segmento recebeu cerca de R$ 1,02 bilhão, equivalente a 30% dos desembolsos realizados no Estado no período. Durante o encontro na FIEAM, Mercadante anunciou a realização de uma oficina de crédito destinada a micro, pequenas e médias empresas, com o objetivo de apresentar alternativas de financiamento e ampliar o acesso dos empresários aos instrumentos do banco. Segundo ele, a oferta de crédito do BNDES cresceu de forma expressiva nos últimos três anos e meio. O saneamento de Manaus é um dos projetos de maior dimensão. O empreendimento prevê R$ 3 bilhões em investimentos, dos quais R$ 1,5 bilhão financiados pelo BNDES, para a implantação de 2.335 quilômetros de redes coletoras e 29 estações de tratamento de esgoto, com foco na universalização do serviço. Na logística, o banco financia a aquisição de 60 balsas graneleiras e dois empurradores pela Hermasa Navegação da Amazônia. O projeto soma R$ 384 milhões, com R$ 345 milhões financiados pelo BNDES, e 32 embarcações já foram entregues e estão em operação. Parte da frota é construída em estaleiros da própria região, fortalecendo a cadeia naval amazônica. Outro eixo é a infraestrutura aeroportuária. O programa envolve sete aeroportos da região, com R$ 1,9 bilhão em investimentos e R$ 600 milhões em financiamento do BNDES. No Aeroporto de Manaus, estão previstos R$ 213 milhões, em uma estrutura considerada estratégica para a logística de cargas de maior valor agregado associadas à Zona Franca de Manaus (ZFM). Além da indústria tradicional, o banco vem ampliando a carteira de projetos ligados ao desenvolvimento socioambiental e à chamada economia da floresta. Entre as iniciativas apresentadas estão projetos de manejo florestal sustentável, restauração de áreas degradadas e concessões voltadas à exploração sustentável de produtos madeireiros, não madeireiros e serviços florestais. A lógica é aproximar conservação e geração de renda, criando cadeias produtivas capazes de agregar valor aos recursos naturais sem depender da conversão da floresta. Na avaliação de Mercadante, o desafio do Amazonas passa justamente por criar alternativas econômicas e empregos que fortaleçam a população e contribuam para a preservação ambiental. Para Antonio Silva, essa agenda reforça a necessidade de uma relação permanente entre o setor produtivo e as instituições de financiamento. “É muito importante que nós possamos ter o BNDES aqui conosco”, afirmou o presidente da FIEAM, ao defender que a aproximação seja ampliada para novos projetos. O objetivo, segundo ele, é manter o acesso aos órgãos de financiamento como parte da estratégia de desenvolvimento do Estado e de preservação da Amazônia. Também estiveram presentes na reunião, o Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) do Amazonas, Gustavo Igrejas; o Superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus, (Suframa), Leopoldo Montenegro; a Superintendente em Exercício da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Jorgiene Oliveira; o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Valdemir Santana e o presidente da Associação Comercial da Amazonas (ACA), Bruno Loureiro Pinheiro. |
Setor produtivo
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