Ouvidoria do TSE prevê novas ações de escuta com comunidades indígenas e ribeirinhas no Pará


Iniciativa integra o projeto "Mapa dos Silêncios", que busca identificar barreiras ao exercício dos direitos políticos e aproximar a Justiça Eleitoral das comunidades

TSE acompanha ações da Ouvidoria Indígena em Roraima.
Rafael Machado/TSE
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A Ouvidoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê a realização de duas novas ações de escuta ativa com comunidades indígenas e ribeirinhas no Pará, nos dias 7 e 11 de novembro. As atividades integram o projeto “Mapa dos Silêncios – Vozes Indígenas para as Eleições 2026”, iniciativa voltada à identificação de dificuldades de acesso aos serviços eleitorais e ao fortalecimento do diálogo entre a Justiça Eleitoral e as populações que nem sempre conseguem apresentar suas demandas pelos canais tradicionais de atendimento.

A primeira ação está prevista para o dia 7 de novembro, na comunidade ribeirinha da ilha João Pilatos, no município de Ananindeua (PA). Já no dia 11, a escuta deverá ocorrer na aldeia indígena Solimões, na região do rio Arapiuns, em Santarém (PA). As atividades serão realizadas em conjunto com as ouvidorias da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal (STF).

A proposta é conhecer diretamente as experiências, necessidades e percepções dessas populações sobre o exercício dos direitos políticos, além de identificar possíveis obstáculos ao acesso à informação, à participação política e aos serviços oferecidos pelas instituições.

Escuta ativa para identificar os silêncios

O projeto “Mapa dos Silêncios” parte da compreensão de que nem todas as demandas da sociedade chegam espontaneamente aos canais institucionais. Distâncias territoriais, diferenças linguísticas e culturais, dificuldades de acesso à tecnologia e desconhecimento sobre os serviços disponíveis podem dificultar a comunicação de determinados grupos com a Justiça Eleitoral.

Para enfrentar essas barreiras, a iniciativa adota uma estratégia de escuta ativa. Em vez de apenas aguardar o recebimento de manifestações, a Ouvidoria vai ao encontro das comunidades para compreender suas realidades, ouvir suas demandas e identificar oportunidades de aprimoramento dos serviços eleitorais.

Para a ouvidora do TSE, Lucyana Said Daibes Pereira, essa aproximação amplia o alcance da atuação das ouvidorias. “Há pessoas que conhecem os nossos canais e chegam até nós, mas há também aquelas cujas vozes, por diferentes razões, ainda não chegam às instituições. O Mapa dos Silêncios busca justamente ir ao encontro dessas pessoas, ouvir suas experiências e compreender as barreiras que ainda precisam ser superadas.”

A iniciativa também busca valorizar as particularidades culturais e territoriais das comunidades, reconhecendo que a garantia do exercício dos direitos políticos passa pela compreensão de diferentes formas de organização social e participação coletiva.

Experiência em Roraima orienta ações

As próximas atividades dão continuidade à experiência desenvolvida em setembro na comunidade indígena Maturuca, localizada na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Nos dias 9 e 10 de setembro, a Ouvidoria do TSE, em parceria com a Ouvidoria dos Povos Indígenas do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), promoveu uma ação de escuta que reuniu lideranças, mulheres, jovens e famílias para dialogar sobre direitos políticos, participação eleitoral e acesso aos serviços da Justiça Eleitoral. A programação também contou com a presença do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que acompanhou atividades da Ouvidoria indígena na comunidade.

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TSE acompanha ações da Ouvidoria Indígena em Roraima. Foto: Rafael Machado/TSE

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TSE acompanha ações da Ouvidoria Indígena em Roraima. Foto: Rafael Machado/TSE

Durante os encontros, foram apresentadas dúvidas sobre filiação partidária, criação de partido político indígena e procedimentos necessários para concorrer a cargos eletivos. Os participantes também destacaram a importância do respeito às formas tradicionais de organização, aos processos culturais de escolha e às decisões coletivas.

Essas preocupações foram registradas na Carta da Escuta, documento elaborado ao final da ação. Além de ouvir as demandas, a equipe da Justiça Eleitoral prestou orientações sobre o exercício da cidadania, os direitos individuais e coletivos e os canais disponíveis para apresentação de denúncias relacionadas a irregularidades eleitorais e possíveis violações de direitos políticos.

A programação incluiu ainda atividades educativas com a urna eletrônica, entrega de computadores pelo TRE-RR e disponibilização de cartilha eleitoral em língua macuxi, desenvolvida com a participação de representantes da própria comunidade.

Atuação permanente nas comunidades

A escolha de Roraima para a realização da primeira ação do projeto levou em consideração a experiência da Ouvidoria dos Povos Indígenas do TRE-RR, unidade especializada no acolhimento e encaminhamento de demandas relacionadas à participação dos povos indígenas no processo eleitoral.

Vinculada à Ouvidoria Regional Eleitoral, a unidade mantém pontos de atendimento presencial nas comunidades Maturuca, em Uiramutã, e Raposa I, em Normandia, além de participar de iniciativas da Justiça Eleitoral Itinerante. O modelo busca superar as limitações dos canais convencionais de atendimento, oferecendo às comunidades a possibilidade de contato direto e permanente com a instituição.

Segundo a ouvidora eleitoral indígena do TRE-RR, Anita de Lima Oliveira, a experiência demonstra como o diálogo com as comunidades pode contribuir para o aperfeiçoamento dos serviços eleitorais. “A programação realizada em Maturuca demonstra como a escuta das comunidades pode orientar ações da Justiça Eleitoral. As atividades de educação eleitoral, a produção de materiais em língua macuxi e as iniciativas de inclusão digital nasceram de demandas apresentadas pelos próprios povos indígenas”, afirma a ouvidora.

Fonte: TSE