Philip Fearnside do Inpa é eleito Fellow da Associação Americana para o Avanço da Ciência

O prêmio AAAS Fellow vem com a expectativa de que os “membros honorários” mantenham os mais altos padrões de ética profissional e integridade científica. A honraria é vitalícia.

O cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) Philip Fearnside recebeu mais um reconhecimento internacional por suas significativas contribuições aos estudos de ecologia tropical e serviços ambientais da Amazônia. Fearnside foi nomeado Fellow da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, sigla em inglês), uma honra concedida pelos pares aos membros da AAAS, independente da sua nacionalidade. A AAAS é a maior sociedade científica do mundo e editora da revista Science.

Este ano, 489 membros foram agraciados como “membros honorários” pelos seus esforços científicos ou socialmente distintos para o avanço da ciência ou suas aplicações. Os novos membros honorários receberão um certificado oficial e um alfinete de roseta dourado e azul (representando ciência e engenharia, respectivamente) para comemorar sua eleição. Uma cerimônia virtual para os novos Fellows será realizada no dia 13 de fevereiro de 2021.

Fearnside é americano e há mais de 45 anos o biólogo pesquisa a Amazônia, inclusive morando por dois anos na rodovia Transamazônica (BR-230) antes de entrar nos quadros do Inpa, em 1978. As pesquisas de Fearnside focam nos serviços ambientais da Amazônia, como a manutenção da estabilidade climática, da biodiversidade, e da função da floresta em reciclar água. As pesquisas incluem ainda os processos que levam à perda desses serviços, como o desmatamento e os incêndios florestais.

“Esta é uma honra importante. O título de ‘Fellow’ da AAAS vem sendo conferido a cientistas considerados destacados começando em 1874”, disse Fearnside, que no momento prioriza as pesquisas de avaliação de possíveis impactos no grande bloco de floresta no oeste do Estado do Amazonas, que é “ameaçado por planos ligados à rodovia BR-319 [Manaus/AM-Porto Velho/RO]”.

O pesquisador tem um currículo de peso. São cerca de 30 prêmios e títulos, incluindo o Prêmio Nobel da Paz que foi dividido com vários cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore. Fearnside é bolsista de produtividade 1 A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nível mais alto de produtividade dos cientistas brasileiros, e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Está na lista atual dos 100 mil pesquisadores mais influentes do mundo, sendo o quarto de maior destaque no Brasil em todas as áreas em termos de citações aos trabalhos e o mais influente na área de ecologia.

“Assim como a listagem alta entre os ‘influentes’ no banco de dados de Mendeley, embora seja uma honra pessoal, o importante é que pode dar mais destaque aos assuntos que considero importantes”, destacou Fearnside. Ele pretende que seus estudos, realizados junto com sua equipe, levem a mudanças no rumo da história na Amazônia “para que sejam mantidos os serviços ambientais da região e o bem-estar da sua população, o que depende em muito do sucesso desta mudança de rumo”, contou.

Para o coordenador geral de pesquisas do Inpa, Jorge Porto, a honraria reforça ainda mais o papel de destaque de Fearnside no Inpa como servidor público engajado na pós-graduação e nas pesquisas dos problemas ambientais amazônicos. “Destaca-se ainda como o pesquisador mais produtivo e mais citado do Inpa”, ressaltou Porto.

Saiba Mais

A Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) é a maior sociedade científica geral do mundo e editora da revista Science, bem como da Science Translational Medicine; Sinalização científica; um jornal digital de acesso aberto, Science Advances; Imunologia científica; e Ciência Robótica. Fundada em 1848, a AAAS inclui mais de 250 sociedades afiliadas e academias de ciências, atendendo a 10 milhões de indivíduos. A organização sem fins lucrativos AAAS está aberta a todos e cumpre sua missão de “promover a ciência e servir a sociedade”, por meio de iniciativas em política científica, programas internacionais, educação científica, engajamento público e muito mais.

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